quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crise do Capital: Quem somos nós nessa história?

http://noticias.r7.com/economia/noticias

O link acima traz uma matéria, revelando que, segundo dados do Banco Mundial, 14 milhões de latino- americanos voltaram  a figurar entre os indivíduos que vivem na considerada "linha da pobreza". O fato que recolocou esse número de latino-americanos (novamente) na pobreza foi a crise estrutural do capital, que teve no ano de 2009 o seu apogeu, ou melhor, teve em 2009 a concretização de um problema que já se arrastava há algum tempo no mercado financeiro e que estourou para a sociedade no final de 2008 e perdurou ao longo de 2009.
Entre expectativas do "fim" do capitalismo por parte de setores da esquerda e a preocupação para manter o atual modo de produção por parte de setores da direita, ficou, ao fim e ao cabo, a miséria, a diminuição de salários e o aumento da degração das condições de trabalho dos operários.
14 milhões de pessoas que "voltaram" a ser pobres representa um importante quadro do que os movimentos sociais, sindicatos e governos ditos progressistas e até revolucionários poderiam ter feito diante dessa crise. O enfrentamento da, até agora, última grande crise do capital, restringiu-se a pequenas greves, algumas passeatas e várias reuniões políticas. Por mais que essas ações signifiquem um contraponto às medidas tomadas pelo mercado, não foram suficientes para, no mínimo, iniciar um diálogo com a classe trabalhadora.
Segundo analistas políticos e sociólogos de diversos países, a América Latina reúne hoje, talvez, os governos mais progressistas do mundo ou que se apresentam por desenvolver políticas revolucionárias em seus países. No entanto, a crise, ao jogar 14 milhões de latino-americanos "novamente" na pobreza, oferece a nós a oportunidade de (re)pensar as práticas revoluvionárias que temos tido. Onde estamos que não próximos a esses 14 milhões? 
Talvez tenhamos pensado uma revolução a paritr dos limites que a própria lógica sistêmica do capital nos possibilita. E aí, continuaremos a apenas discutir salários, lutar por casas populares para acabar com as favelas e montar cooperativas de catadores de papel, torcendo para que sempre haja papel nas ruas e assim os catadores sempre tenham com o que se sustentar e a cooperativa nunca acabe, para que sempre tenha alguém se vangloriando do projeto e se sensibilizando com a pobreza.

Alex Dancini

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Espaço Marx

Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, começam as atividades do Espaço Marx na FECILCAM. Um espaço de debates teóricos e que articula a importância de se adquirir novos conhecimentos e de se fazer novas amizades e manter as já existentes.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um compromisso, uma luta intensa.

Publico abaixo, o texto lido aos participantes da colação de grau dos cursos de Letras, Geografia, Pedagogia, Matemática e Turismo e Meio Ambiente, da FECILCAM.


O dia 04 de fevereiro de 2010 certamente ficará na memória daqueles que por quatro anos ou mais ocuparam uma cadeira do ensino superior da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão, seja qual for o curso. A FECILCAM transformou-se na segunda casa de todos nós. Formamos ali uma segunda família, um círculo de amizades que nos ajudou a enfrentar as mais difíceis jornadas. Quem aqui não se lembra de ter chorado alguma vez pelos corredores da FECILCAM e de repente aparecer um ombro amigo para lhe confortar e lhe oferecer o colo que colhe a gota de uma lágrima. Mas também teve aquele abraço de felicidade, de felicitar o amigo pela aprovação em mais um ano, pela boa nota alcançada no final do bimestre... enfim...pelo sorriso que o outro trazia no rosto.

Assim o tempo passou, a roda da história andou e para traz ficou aquilo que poderíamos ter feito de modo diferente. Não é possível voltar. Ficou também o professor ou a professora que gostaríamos que nos acompanhasse pelas próximas jornadas. Não é possível levá-lo conosco. Ficou para traz aquela pessoa que não a conhecíamos antes de adentrarmos à faculdade e que de tão especial que ela se tornou, gostaríamos de levá-la conosco, mas não é possível. Os levaremos no coração e ficaremos na expectativa de que as circunstâncias da vida não nos afastem mais do que já estamos agora. Caros colegas, autoridades e familiares, por que, muitas vezes,3 não damos a devida importância para as relações sociais no dia-a-dia? Damos a devida importância que as relações entre os seres humanos merece, apenas quando chega o último dia.

O espaço acadêmico proporciona uma convivência intensa e bonita entre indivíduos. Mas também proporciona o contato com algo que para muitos de nós estava muito distante: o conhecimento científico. Como diria Mauro Iasi, numa poesia:
“O conhecimento caminha feito lagarta...primeiro não sabe que sabe...e voraz contenta-se com o cotidiano orvalho...deixado nas folhas vividas das manhãs”. E assim éramos nós, atentos a tudo, mas inseguros se sabíamos ou não o que havíamos estudado e incertos se estávamos realmente aprendendo. Continua Mauro Iasi: “Depois [o conhecimento] pensa que sabe...e se fecha em si mesmo...faz muralhas...cava trincheiras...ergue barricadas...defendendo o que pensa saber...levanta certezas na forma de muro...orgulhando-se de seu casulo”.
E assim éramos nós, certos de que estávamos sempre com a razão e que detínhamos o saber que nos tornava, talvez, diferentes daqueles que ali não estavam, nunca estiveram e, possivelmente, nunca estarão. Triste Ilusão. Mas num certo momento, o conhecimento atinge uma maturidade...e continua Mauro Iasi: “até que maduro...[o conhecimento] explode em vôos...rindo do tempo que imagina saber...ou guardava preso o que sabia...voa alto sua ousadia...reconhecendo o suor dos séculos...no orvalho de cada dia...mesmo o vôo mais belo...descobre um dia não ser eterno...É tempo de acasalar...voltar à terra com seus ovos...à espera de novas e prosaicas lagartas...O conhecimento é assim...ri de si mesmo e de suas certezas...é meta de forma, metamorfose/movimento, fluir do tempo...que tanto cria como arrasa...a nos mostrar que para o vôo é preciso tanto o casulo  como a asa”. (Aula de vôo, Mauro Iasi)
Caros colegas formandos, familiares e autoridades, vivemos na chamada “sociedade do conhecimento”. No entanto, a maioria da população brasileira, para não dizer mundial, está totalmente excluída de freqüentar um importante espaço de produção de novos conhecimentos e de valorização do conhecimento que a humanidade já produziu e que hoje nos é caro. O Ensino superior está de portas abertas para poucos. Fecha-se à classe trabalhadora. Somos exceções porque vivemos numa região extremamente pobre e aqui os filhos dos trabalhadores ainda conseguem um espaço no Ensino Superior Público. E esta realidade se arrasta pela história desta sociedade capitalista individualista e predadora que impregnou a consciência das pessoas com o pensamento meritocrático. A solidariedade deixou de existir nas ações dos seres humanos e passou a existir apenas no mundo das idéias. Assim, esperamos que o mundo seja solidário, mas nós, que somos sujeitos históricos desse mesmo mundo, muitas vezes não somos solidários com os seres humanos que nos circundam.
E a escola está impregnada da falta de solidariedade. Seja entre os professores, seja entre os estudantes. Caros colegas, possivelmente neste ano ou num futuro próximo, estaremos dentro de uma sala de aula, trabalhando como educadores e presenciaremos uma realidade já conhecida por muitos aqui, uma realidade que requer trabalho intenso e a reflexão de que os problemas existentes hoje na escola são históricos. Portanto, caros colegas formandos, não há curso de motivação que dê jeito neste sistema educacional, pois tenta-se tratar aquilo que nos é aparente e se esquece de agir na essência do problema . A educação e a escola que queremos só acontecerá com a luta daqueles que dela fazem parte, a luta que move a roda da história. E para não pararmos no tempo e ficarmos alheios ao movimento histórico do qual fazemos parte é preciso persistir e jamais para de estudar...mesmo que não seja o estudo formal, pois estudo “é a aplicação do espírito para aprender”, aprender, mesmo que seja qualquer coisa, desde que qualquer coisa nos torne seres humanos mais solidários e mais sensíveis à vida.
Para terminar: 
"Os jovens... e eu me vejo como um... nós precisamos estudar e estudar pesado. Nós não devemos dizer que meus olhos ardem ou que eu não gosto de ler, que eu fico cansado, que não há óculos, que eu tenho muita vigia, que as crianças não me deixam dormir... todas essas coisas que as pessoas levantam. Nós precisamos estudar por todos os meios." (Ernesto Guevara de La Serna)

Obrigado!

Alex Dancini

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A direita e a violência

Na última segunda-feira, 01, dia da estréia do reality show da polícia do Estado de São Paulo, o Governador do Estado, o seretário de segurança de São Paulo, o comandante da Polícia Militar e o Delegado-Chefe da polícia civil de São Paulo participaram do programa Super Pop, da REDETV. José Serra, como era de se esperar, elegeu o tráfico de drogas como maior responsável pela violência em São Paulo e no Brasil. Em segundo lugar vem o tráfico de armas, que segundo ele, dá suporte para os bandidos enfrentarem a polícia. Disse ainda, que a polícia de São Paulo recupera todos os meses milhares de armas contrabandeadas, mas as ações policiais não são suficientes para acabar com o tráfico de armas do crime organizado. Muito bem camaradas, lá pelas tantas do programa, a apresentadora Luciana Gimenez perguntou ao Governador porquê a polícia não (re)utiliza as armas apreedidas na luta contra o crime organizado. Segundo ela, a polícia teria mais "poder de fogo". No meio do raciocínio da apresentadora, o delegado-chefe da polícia civil disse a seguinte frase: "issso não compensa. O Estado oferece para  a polícia armas mais potentes e mais modernas que as que são recuperadas".
Camaradas, ou o delegado-chefe quis encher a bola do Estado enquanto instituição responsável pela manutenção da segurança pública ou quis desmentir todos os direitistas desse país que afirmarm que os criminosos possuem armas mais potentes que as da própria polícia.
Na dúvida, prefiro acreditar que a direita brasileira não encontra argumentos sólidos para justificar a luta contra a violência pela via das forças armadas, da polícia. Se poder de fogo fosse a melhor saída contra a violência não existiria mais violência no Brasil e no mundo. Ou será que o exército brasileiro ou a própria polícia não tem muito mais poder de fogo que o próprio crime organizado? Há quanto tempo existe a polícia? Por que, então, não se acaba com a violência? Justamente, porque esse caminho escolhido pelo Estado capitalista de acabar com a violência não é o mlehor e nunca dará certo.
Os capitalistas sabem, mas nunca admitirão, que o problema da violência é estritamente social. O antagonismo de classes produziu a luta pela vida a qualquer preço, e nessa luta, muitas vezes, pouco importa matar ou morrer. E como é uma luta, as partes nela envolvidas procuram encontrar todos os meios para serem mais forte, e assim, sobreviver. O crime se organiza, mas o principal problema não é sua organização, pois essa etapa é apenas uma questão de estratégia e tática. Para acabar com a violência é preciso resolver o problema central da sociedade capitalista: a divisão de classes, adesigualdade social, mais do que isso, a opressão do homem pelo homem.

Alex Dancini

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

José Serra quer ser Americano

O governo do Estado de São Paulo estreou na última segunda-feira, 01, na REDETV, um programa chamado "Operação de Risco". Trata-se de um reality show policial, no qual algumas ações da polícia de São Paulo são filmadas, editadas, é claro, e depois apresentadas no programa que tem duração de uma hora. Algo muito parecido com o que já foi feito no Estados Unidos há mais de 20 anos. Uma sacada de um governante que não sabe mais o que fazer para tentar aumentar seus pontos nas pesquisas eleitorais na corrida presidencial deste ano. A política socialdemocrata acrescida de uma forte dose de políticas neoliberais tem atingido o extremo da tolerância de muita gente espalhada por esse Brasil. Não restando outra saída, os políticos neoliberais (José Serra é um deles) apelam para alternativas que beiram a burrice. A ideia do governo do Estado de São Paulo é estúpida. Tenta criar no imaginário social a ideia de uma polícia eficaz, combatente, muito bem armada; uma ideia de políciais guerreiros, heróis. A direita ainda acredita que mais policiais é igual a mais segurança para a população. Caros camaradas, quanto mais policiais se tem mais violência se produz. Os governos trabalham com estatísticas, assim, quando aumenta o contingente de policiais é sinal de que a coisa vai mal.
Apesar de a ideia de José Serra ser estúpida, devo concordar que ela vai levar muitos paulistanos a terem orgulho da polícia (militar, civil e rodoviária) de São Paulo, afinal, o programa passa por uma rigirosa edição e só vai para o ar as ações que deram certo. O apoio camarada aos trabalhadores da polícia de São paulo, que ganham pouco, mas trabalham.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Homem primata, capitalismo selvagem

Assistir a uma peça de teatro é para a maioria dos trabalhadores algo muito próximo do impossível. Vivemos numa sociedade em que os proprietários dos meios de produção buscam a todo momento aumentar seus lucros, para assim aumentar seu capital financeiro. Para aumentar os lucros é necessário mais trabalho humano, e muitas vezes, mais trabalho humano não significa mais indivíduos trabalhando, mas sim, o aumento da jornada de trabalho daqueles que já ocupam os postos de trabalho. Nesse sentido, um trabalhador chega a trabalhar de 10 à 12 horas por dia num rítmo acelerado, já que quanto mais produz mais o patrão ganha e menos chance tem o operário de perder seu emprego. Assim, não sobra tempo e tampouco coragem para o trabalhador assistir atentamente a um espetáculo de teatro (para não falar na falta de grana). O ser humano é uma máquina. Máquina de produzir lucros. Sobrevive com aquilo que os donos do capital calculam que seja necessário para que ele tenha forças para produzir. Nada mais. O resto é supérfluo.
O lazer e o prazer de "ser humano" não existe para o trabalhador no modo de produção capitalista. Desse modo, o sentido de vida de um trabalhador se resume em trabalhar (vender sua força de trabalho) para alguém. Se não tem trabalho, perde-se o sentido de viver e matar ou morrer é apenas um detalhe.
E é justamente por essa  e outras razões que não medimos esforços para levar um pouco de lazer e prazer a trabalhadores e filhos de trabalhadores de diversos cantos do Paraná.
A Oficina de Teatro Popular, sob a responsabilidade do oficineiro Márcio Pessati, levou o encanto que envolve um personagem e sua interpretação, o encanto das cortinas que se abrem e fecham na frente do palco e o encanto da poesia que há muito ou nunca tinha chegado aos ouvidos e aos olhos do lavrador de calos na  mão. Nem mesmo a jovem menina que todos os dias às 5:30 da manhã se levanta para tirar o leite. E tampouco à zeladora da escola rural, que é educadora, mas está excluída da arte que torna o ser humano mais sensível e mais humano.

Que vale ao intelectual seus conhecimentos se não consegue perceber a simplicidade do ser humano. No capitalismo, o simples se torna ausente, porque precisamos sempre nos atualizar com o novo que nos parece complexo, e nos relacionamos com o outro por meio do novo, as relações sociais se tornam complexas, são difíceis de entender. Como não há tempo para entender, dançamos conforme a música e não nos relacionamos com o outro, estabelecemos sim, uma luta constante em que só há um perdedor: o ser humano.
A música que embala essa dança pode ser esta: " homem primata, capitalismo selvagem...ôôô"

Alex Dancini

Bela experiência



Lindoeste, pequena cidade próxima a Cascavel. A base econômica do município é a produção agrícola dos vários assentamentos do MST, inclusive, a do assentamento Vitória, o qual tive o prazer de visitar e conversar com alguns assentados. Juntamente com os camaradas Moisés e Márcio Pessati, assessores do Deputado Federal Dr. Rosinha (PT-PR), pude aprender um pouco mais sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Um assentamento que existe há 24 anos e que possibilitou a várias famílias satisfazer suas necessidades enquanto seres humanos se apropriando daquilo que produzem. A grande maioria das famílias mora em casas confortáveis (para o padrão popular, é claro), e se não estivessem ali, possivelmente, estariam aumentando a estatística das famílias que moram nos morros das grandes cidades e que a cada chuva são obrigadas a deixar suas casas (barracos) por motivo de segurança. Embora haja muita coisa em que o MST precisa avançar, não dá para negar a importância do Movimento no processo de reforma agrária no Brasil.

Crônica de um menino pobre

Ele vai pelo pátio da escola. A passos curtos carrega uma sacola numa das mãos e na sacola sacos, de leite. Cortante como navalha a alça da sacola faz doer a fina pele de sua mãozinha, a outra ele levanta a meia altura para fazer contrapeso ao leite.
Cabisbaixo, só levanta sua cabecinha quando vê ao lado uma doce menina que caminha com sua mãe. Ela tem nas mãos o carinho que a acalma e não uma navalha. Ele se sentiu diferente. Pela navalha, pelo leite, pela roupa; por ele. Para uma criança, sentir-se diferente é qualquer coisa como uma dor que dói e de tanta dor não se é possível sentir...só um olhar é capaz de mostrá-la. O olharzinho dele mostrou. Ele ainda não entende o porquê da diferença, mas sente. Sente o leite e a sacola que faz cortar suas mãozinhas. Ele não a agüenta mais. Ele não se agüenta mais e vai explodir. De alguma maneira hoje ou amanhã o menino das mãozinhas que a sacola do leite fez doer irá exteriorizar o que desde muito cedo ele sentiu: a divisão de classes. A passos curtinhos ele ultrapassa o portão da escola e, na rua, coloca a sacola nos ombros...aliviou a dor das mãos, mas dificilmente apagará a dor do coraçãozinho que calado não entende o que vê, mas sente o que vive.

Alex Dancini

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Educação a distância

A educação a distância, desde quando ganhou expressão no Brasil, a partir de meados da década de 1990, quando a LDB de 1996 legitimou essa modalidade de educação, vem gerando grandes discussões entre os intelectuais que se propõem a debater a educação de um modo geral.

Na década de 1990, a educação a distância, ainda sem expressividade no Brasil, resumia-se numa modalidade de educação por correspondências. A comunicação entre professores e alunos se dava por meio dos Correios, que transportavam os textos e exercícios utilizados pelos indivíduos envolvidos nessa modalidade educacional.

No entanto, com o inevitável avanço da internet, também tornou-se inevitável a migração da educação a distância para a versão on line, na qual foi possível assistir a aulas em tempo real, por meio de vídeo-aulas produzidas especificamente para um público especial, a saber, os estudantes da educação a distância.

O avanço tecnológico alavancou também o crescimento dessa nova modalidade de ensino, que passou a ser mais acessível e com um custo mais reduzido para os estudantes. Estima-se que há cinco anos atrás apenas 220 mil estudantes estudavam em aulas não presenciais, número que espantosamente cresceu para 1,2 milhões de estudantes, nesse final da primeira década do século XXI.

Sem dúvida, existe uma euforia acerca do crescimento do ensino a distância no Brasil e esse fato ocorre, a meu ver, por dois fatores que são primordiais, quando analisamos o ensino não presencial, a saber, a inserção de uma grande quantidade de pessoas na educação formal (a distância) e a necessidade mercadológica de se produzir mais um meio para gerar lucro (a educação como mercadoria).

Em uma sociedade em que se torna cada vez mais necessário qualificar-se em alguma profissão e, principalmente, ter uma profissão, qualquer oportunidade que se ofereça terá uma boa aceitação, e mais do que isso, terá uma grande procura. Assim, oferta-se uma mercadoria atraente e sempre existirá alguém pronto para comprá-la. A circulação de ideias, e dentre estas, a de que é necessário ter um diploma de ensino superior para se conseguir um bom emprego e uma (in)certa estabilidade profissional e financeira, gera uma grande procura por uma modalidade de ensino que é acessível àqueles que dificilmente se veem num curso superior presencial. Em um país onde a educação básica, fundamental e média não dá conta do desenvolvimento humano e intelectual dos indivíduos, a educação à distância, enquanto modalidade de ensino superior de fácil acesso se torna a primeira e talvez a única opção de estar entre aqueles que compõem a pequena parcela da sociedade que possui um diploma do ensino superior. Nesse sentido, corre-se o risco de deixar de lado o debate pelo aumento do número de vagas no ensino superior público e aceitar o ensino a distância sem questioná-lo, porque essa modalidade de ensino responde à necessidade imediata daqueles que querem cursar o ensino superior, mas que não conseguem entrar pela via excludente chamada vestibular.

Dentre os vários discursos que foram desenvolvidos para defender o ensino a distância, destaca-se aquele que estabelece uma comparação entre o Brasil e os países economicamente desenvolvidos, onde, segundo algumas pessoas, a educação a distância deu certo. Nesse caso, há um consenso de que o Brasil é diferente desses países no aspecto econômico, pois se trata de uma economia em desenvolvimento. Entretanto, quando o assunto é educação, tudo parece muito igual, para não dizer idêntico, uma vez que querem reproduzir por aqui um modelo de educação que pode ter dado certo nesses países desenvolvidos, mas que pode não dar certo no Brasil, dadas as grandes diferenças existentes entre essas nações.

Se economicamente o Brasil, até pouco tempo atrás, era considerado um país de terceiro mundo, também o era na questão educacional (nessa questão ainda é), e portanto, é necessário estabelecer uma diferença nas condições em que esse modelo foi desenvolvido “lá fora” e em quais será desenvolvido aqui no Brasil e, principalmente, qual era a finalidade da educação a distância nos países desenvolvidos e qual é a finalidade aqui no Brasil. Ora, se economicamente existe disparidades entre o Brasil e os chamados países do primeiro mundo, todas as demais partes da sociedade (o sistema educacional é uma delas) acompanham essa disparidade. Assim, o discurso lógico que existe em torno da educação a distância, afirmando que se deu certo “lá fora” dará certo aqui no Brasil é descontextualizado e dissemina uma idéia rasteira acerca da complexidade que existe em acerca do ensino não presencial.

Embora acredite que a educação a distância tenha mais pontos negativos que positivos, é preciso reconhecer que essa modalidade de ensino é importante para possibilitar a inclusão de pessoas que vivem em regiões longínquas e que dificilmente teriam acesso a um determinado conhecimento sistematizado se não fosse por meio da educação a distância. No entanto, esse pensamento não pode pautar todas as ações acerca do ensino não presencial. Existem regiões onde há universidades e faculdades públicas e privadas, mas que co-existem, nesse mesmo espaço, o ensino não presencial. Assim, o discurso do ensino a distância como meio de inclusão já não serve para esse contexto, e infelizmente, acaba se sobrepondo à complexidade que envolve o problema relacionado ao número reduzido de vagas no ensino superior público no Brasil. E de modo algum, o ensino a distância é a melhor maneira para transformar essa realidade.

Em contraponto à educação a distância, temos a educação presencial que se resume no ensino em que aluno e professor compartilham o espaço da sala de aula diariamente e no qual o professor atua como mediador entre o conhecimento científico e os saberes que o aluno já domina, oriundos de sua (com)vivência social. A educação formal presencial é defendida pela grande maioria dos intelectuais que se propõem a discutir educação e ensino, pois é nesse modelo que os estímulos e as possibilidades para o aprendizado ocorrem ou deveriam ocorrer com mais eficácia. Sem cair no erro de generalizar e dizer que o ensino presencial é totalmente eficaz e que o ensino a distância não oferece boas condições para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra com qualidade, prefiro optar pelo ensino presencial e discutir e apresentar soluções para a superação de seus principais problemas. A educação não presencial é necessária para algumas situações (como a já apontada acima), mas da maneira como vem sendo tratada, temo o perigoso juízo de que ela pode, a qualquer momento e em qualquer lugar, substituir a educação presencial.

Alex Dancini

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Personalidade da globalização


Lula está entre as 100 principais personalidades mundiais de 2009. Por onde passa, a euforia toma conta dos representantes políticos que o recebem. Lula é atualmente um dos maiores representantes do capital em todo o mundo e com suas medidas que agrada a Gregos e Troianos tem uma aceitação invejável em seu país e principalmente fora dele.

A atitude revolucionária que deve pautar as ações da esquerda revolucionária do século XXI muitas vezes se confunde com os ideais da social democracia desde há muito criticada por Marx e Engels. Com medidas reformistas ao invés de revolucionárias, o governo Lula constitui um quadro político de coalizão, entre partidos de direita e de esquerda, a grosso modo, os representantes do capital e os do proletariado. De um lado ajuda-se os banqueiros e os monopólios com o despejo de dinheiro do Estado nessas instituições, e de outro ajuda-se os trabalhadores que se encontram em situações deploráveis, por meio de programas sociais. Caminham lado a lado, portanto, as duas extremidades desse modelo de sociedade injusto e perverso, o qual nos leva a um caminho um tanto quanto certo, a saber, à degradação das relações humanas, à destruição sem limites da natureza, numa palavra, nos leva à sociedade da barbárie.

As crises do sistema capitalista sempre trouxeram preocupações tanto para os donos do capital quanto para a classe trabalhadora, mas deixaram as piores marcas nos trabalhadores de todo o mundo. Na crise que o capitalismo está atravessando, embora muitos economistas afirmem já estarmos no final dela, não é diferente. Milhares de trabalhadores perderam seus empregos, e aqueles que continuaram trabalhando tiveram seus salários reduzidos. Demissões em massa por toda a parte do mundo colocaram trabalhadores no olho da rua com a perspectiva de um futuro totalmente incerto e numa trágica situação econômica. Por outro lado, as corporações que viram suas reservas fiscais se esgotarem a atingiram altos déficits na balança comercial tiveram uma providencial ajuda do Estado. O Estado que antes deveria ser mínimo, agora necessita obter autonomia para oferecer as devidas seguranças ao modo de produção capitalista.

O que ocorreu no Brasil não difere em quase nada do resto do mundo. O governo federal adotou medidas de emergência para socorrer o mercado e em nome da super proteção do capital baixou os juros, reduziu os impostos de alguns produtos e mandou o povo às compras. Tudo isso para salvar o mercado de uma recessão maior do que as que não paravam de surgir no mundo globalizado. Sem contar as aquisições de bancos e corporações que foram à bancarrota, mas livraram-se do fiasco com dinheiro público e continuaram comandando seus negócios como se nada tivesse acontecido.

Do outro lado da rua, empresas cumpriam demissões em massa, quatro mil, cinco mil trabalhadores demitidos, sem saber o que fazer e sem ninguém para socorrê-los. Nem sindicatos, nem Estado, nem governo Lula. E a marolinha passava como que um Tsunami pela vida de milhares de trabalhadores.

Mas para o resto do mundo o Brasil é o país do futuro e a economia brasileira comporta-se como nenhuma outra frente a tão grave crise. A direita brasileira odeia o Lula não porque ele realizou programas sociais jamais vistos na história desse país, mas porque o filho do Brasil se comportou como um verdadeiro guardião do capital e de uma forma tão sagaz que nem os mais audaciosos neoliberais acreditavam. Imaginem os revolucionários.

Que a revolução não acontecerá da noite para o dia está mais que claro, infelizmente. Mas podemos e temos de ter a mesma clareza para diferenciar ações reformistas de ações revolucionárias. O governo Lula é reformista e contribui para a manutenção do modo de produção capitalista, no qual, como já disse em outro momento, poderemos ter a diminuição dos miseráveis, mas sempre teremos a existência dos pobres para produzir riqueza aos expropriadores do trabalho humano.

Desse modo, seria inusitado que tivéssemos um Hugo Chávez, um Evo Morales, um Rafael Corrêa entre as 100 personalidades do planeta terra. O capitalismo mundial precisa do Brasil, do Brasil do Lula conciliador, que tenta conciliar capital e trabalho no modo de produção capitalista. O Brasil é estratégico para a ONU, por exemplo. Isso é motivo de orgulho para os revolucionários? A potência capitalista que hora se anuncia na América Latina é orgulho para os revolucionários? Dizer que os pobres estão comprando mais, sabendo que essa é uma estratégica básica para o escape da crise e aplaudir tal acontecimento é orgulho para os revolucionários? Socialistas ou Social-democratas?

Alex Dancini

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Resposta ao professor Maybuk

Dia desses, escrevi uma crítica direcionada ao Jornalista Paulo Henrique Amorim que, numa determinada ocasião, exaltava a medida do governo Lula de dar oportunidade aos beneficiários do Bolsa Família de abrirem uma conta corrente na Caixa Econômica Federal, e dizia ainda, que essa medida caracterizava-se como uma inclusão social. O professor Maybuk escreveu um texto em resposta ao meu, e abaixo vai, então, a minha resposta ao texto do caro professor Maybuk.


Caro colega Maybuk, as emissoras de TV, os jornais impressos e as revistas que fazem parte do PIG duelam entre si por maior lucratividade, quanto ao discurso, não vejo diferença alguma. O caso da ocupação do MST e a derrubada dos pés de laranja é um exemplo disso, já que não se percebeu diferença alguma nas notícias veiculadas por esses meios de comunicação, todos adotaram o mesmo discurso, que é, por sinal, o discurso de sempre, quando está em pauta o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Para mim, como disse anteriormente, ou é ou não é.

Imaginemos, então, que a Record seja uma emissora que se caracteriza por fazer críticas “mais amenas” aos movimentos sociais e às políticas bolivarianas da América Latina, podemos, portanto, dizer que a Record é uma emissora que fica “em cima do muro”, que ela é neutra, etc. Ao assumir um tom mais brando, uma postura neutra, a emissora do Edir Macedo já se decidiu de que lado está e posso afirmar, categoricamente, que ela não está ao nosso lado.

Aí você diz:
 “O fato de um beneficiário do Bolsa Família ter uma conta corrente no banco e acesso a crédito é inclusão social sim, pois eu tenho conta em banco desde os 18 anos e atualmente, ganho razoavelmente bem e acesso a crédito no momento que quiser em bancos e lojas o que torna minha vida mais tranqüila”. Maybuk, em primeiro lugar, o acesso à conta corrente por um beneficiário do Bolsa Família pode até ser inclusão (o que eu acho que não é), mas o que isso tem a ver com o fato de você ter uma conta corrente e obter créditos facilmente? Como você mesmo disse, você ganha razoavelmente bem e tem condições objetivas que lhe são extremamente favoráveis no momento de obter um crédito e, no limite, para custear os encargos administrativos que uma conta corrente geram todo mês. Se o sujeito recebe o Bolsa Família é sinal de que ele não tem emprego com carteira assinada e que sua renda mensal é inferior a meio salário mínimo. Que diferença faz esse sujeito ter ou não conta em banco? Daqui a uns três anos teremos um monte de inadimplentes (como eu) com a Caixa Econômica Federal, por conta dessa medida. Nesse caso sou adepto daquele ditado popular, que por sinal não me lembro muito bem, “criança que nunca comeu chocolate, quando come pela primeira vez se lambuza”. Na ordem do dia, portanto, da história, não vejo significado nenhum para a luta de classes nessa medida, a não ser a manutenção dessa luta.

Bom, quanto à melhoria na qualidade de vida das pessoas mais pobres, podemos afirmar que a qualidade de vida da população mais pobre melhorou. Essa afirmação é verdadeira se considerarmos que no governo Lula existem menos pessoas passando fome que nos anos anteriores ao seu governo. No entanto, Lula é o presidente dos pobres, mas é também o presidente dos banqueiros, dos monopólios. Faz uma reforminha aqui outra ali e vai levando. Na outra ponta, ajuda os acumuladores de capital aqui, ajusta a balança comercial ali, e vai transformando o Brasil numa potência mundial. E, diga-se de passagem, numa potência capitalista. Ficamos efervescentes por conta de o Brasil ter uma economia sólida, característica fundamental para que esta nação se torne uma potência do mundo capitalista, assim como a China o é.

O que é a China hoje? Uma grande potência não? Será que os trabalhadores de lá se apropriaram, mesmo que em pequena escala, da riqueza produzida por aquela nação? Não. E isso simplesmente porque enquanto imaginarmos grandes potências capitalistas, teremos que, concomitantemente, imaginar a exploração e alienação da classe trabalhadora. Teremos que imaginar a existência do Bolsa Família, teremos que imaginar a existência do trabalho escravo, da concentração de terras. Os países ricos podem não ter o mesmo número de miseráveis que os países pobres, mas têm um amplo número de pobres que mantêm a pequena casta burguesa. E é isso que estamos produzindo no Brasil. Os beneficiários do Bolsa Família de hoje serão os trabalhadores explorados de amanhã, se tiverem “sorte”.

Já passou da hora de o Lula parar de fazer campanha com o Bolsa família, e dar nome aos bois. O Lula está aonde, na ordem do dia? No centro, na esquerda, na direita? Em cima do muro? Ninguém sabe.

Acredito que se o Brasil tivesse tido nesses últimos 8 anos um governo assumidamente de direita, teríamos avançado no processo revolucionário. O marasmo, para a luta, é uma desgraça.

Caro Maybuk, espero que continuemos com esse debate. Também o respeito, e as críticas aqui estão no plano do conhecimento, das idéias. Não há nada de pessoal, cara.

sábado, 3 de outubro de 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais uma Estória - GOG

Mais uma Estória.

Acesse o link abaixo e ouça a música na íntegra.

http://www.youtube.com/watch?v=sBUPCQztXrg

Música de GOG. O Nordeste das praias e da pobreza, escolha o seu.

A ilha do Sarney iluminada com luz elétrica. Na cidade ao lado, apenas a luz da lamparina...

domingo, 27 de setembro de 2009

II Cúpula da América do Sul e África


Acabo de assistir ao discurso de um economista que conhece profundamente os problemas econômicos da América Latina. Trata-se do presidete do Equador, Rafael Corrêa, também um defensor da Revolução Bolivariana. Em seu discurso, Rafael Corrêa priorizou a cooperação entre os países da América do Sul, Caribe e África, "Entre os países da América LAtina, Caribe e África não deve haver competição, mas sim cooperaçao. Somos todos países pobres, precisamos nos unir".
Corrêa enfatizou que os continentes africano e latino americano possuem as maiores reservas de riquezas naturais do mundo, as reservas de água doce e petróleo são um bom exemplo. No entanto, dizia Corrêa, ainda lutamos para sair da pobreza, quando poderíamos, se estivéssemos unidos, implementar uma sociedade justa, sem desigualdades.

Rafael Corrêa ainda enfatizou a luta pelos direitos humanos. Segundo ele, "a luta pelos direitos humanos tem de ser uma luta contra o capitalismo, contra as grandes potências econômicas mundiais".

ONU e o Golpe de Estado em Honduras

Onde está o espírito democrático que ecoa nos discursos da ONU?

A organização finge que não vê o que está acontecendo em Honduras, fica soltando "notinhas" na imprensa, dizendo que é contra o golpe de Estado em Honduras....

As "notinhas" da ONU deveriam figurar na seção de piadas dos jornais e sites jornalísticos, pois não passam de meras piadas.

A ONU diz , por exemplo,que a democracia está ameaçada na Venezuela - o interessante é que a ONU nunca disse que a América Latina jamais teve democracia - apenas porque Hugo Chávez acabou com o acúmulo de riquezas de meia dúzia de pessoas, que se aproveitavam do petróleo venezuelano para enriquecer e fazer acordos com os EUA - acordos que sempre favoreciam os Yanques.

A ONU sempre vem em missão de paz...

A ONU que passificar, docificar os corações e o espírito das nações que sempre foram colonizadas para que não se revoltem contra as grandes potências capitalistas, as quais, por sinal, são as nações que compõem a ONU.

Alguém ainda acredita na ONU?