terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma guerra anunciada

Enquanto estamos entusiasmados com mais uma copa do mundo, e, provavelmente, mais uma em que a seleção brasileira chegará à final, Fidel Castro faz reflexões acerca de uma guerra que a cada dia se torna mais concreta. Trata-se da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Os EUA com o apoio de Israel ameaçaram interceptar navios cargueiros iranianos em águas internacionais. Simples assim. O império do mundo, com toda sua petulância bélica, decide que vai "controlar" o que sai e o que entra no Irã.

Desde 1979 o Irã é um país "caçado" pelos Estado Unidos. Essa caça tem por motivo a subversão do Irã contra a dominação branca que o Reino Unido, juntamente com os EUA queriam implantar em solo Islâmico. A Revolução Islâmica marca a liberdade do Irã enquanto nação. Assim como aconteceu com Cuba. 

Cuba, em 1962, esteve na mira dos Estados Unidos que ameaçavam atacá-la, e ao mesmo tempo, atacar os revolucionários com armas nucleares maciças. Tudo porque resolveu não obedecer mais à ordens do império mundial chamado Estado Unidos da América.A LIBERDADE Cubana custou 50 anos de embrago econômico praticado pelos EUA. Mas, por outro lado, trouxe a erradicação do analfabetismo, em Cuba, a menor taxa de mortalidade infantil, em Cuba, a medicina mais avançada do mundo (que só não avança ainda mais por conta do embargo), em Cuba. Enfim, Cuba tem vários problemas, mas não se pode jogar no lixo a bravura de um povo que mesmo partindo, na época da revolução, de uma economia defasada, de condições estruturais extremamente precárias, conseguiu mostrar para o mundo, que é possível viver em uma sociedade que priorize a vida, o ser humano, a humanidade, a solidariedade.

A bravura do povo cubano pode ser vista no povo iraniano. Os Estados Unidos querem matar todos aqueles que disseram não a sua exploração, a sua destruição das riquezas naturais dos povos por eles colonizados. Querem matar Cuba, e querem matar também o Irã. Se preparam para matar a Venezuela, depois a Bolívia, depois o Equador. Não se assuste, os EUA matarão a América Latina porque se não matarem serão eles que morrerão. Morrerão de fome ou depressão, porque se trata do último Estado do mundo que está preparado para viver na miséria. Falo do Estado Americano e não do povo dos Estados Unidos. As barbáries do Estado Americano, chefiado atualmente pelo lobo em pele de carneiro, adorado por muitos militantes brasileiros, Barack Obama, não representam o pensamento do povo americano. Representam, sim, a vontade de crescer e de lucrar das grandes corporações; os monopólios que dominam o capital.

Assim, uma guerra poderá ser presenciada por todos nós sem que tarde muito a acontecer. O comandante da Armada do corpo elite dos Guardiões da Revolução Islâmica, General Ali Fadavi, disse que não vai recuar caso haja um ataque por parte dos EUA e Israel. Resta-nos aguardar mais uma investida do capital contra os camaradas que um dia disserão não à continuidade da barbárie.

Alex Dancini

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Somos humanos

É sempre muito bom visitar os companheiros do acampamento irmã Dorothy Stang, de Barbosa Ferraz. Em primeiro lugar porque o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é um movimento social que luta para transformar a estrutura do modelo agrário hoje existente no Brasil, e na esteira dessa luta, pauta também a transformação do modo de produção da vida humana de modo geral, ou seja, a superação do modo de produção capitalista. Em segundo, mas não menos importante, porque vejo no rosto cansado daqueles trabalhadores, o rosto de meu pai; e no rosto cansado daquelas trabalhadoras, o de minha mãe. Lembro-me dos tempos difíceis da Bóia-fria. Meu pai carpinava uma "rua" de café a voltava para ajudar-me, já que eu não conseguia acompanhar os adultos. Meu pai trabalhava por nós dois. Não acredito em heróis, acredito em meu pai.

Tenho para mim que a intelectualidade cada vez mais humaniza o homem. Não refiro-me à  intelectualidade submissa ao mercado e à imediaticidade de um certificado. Muito menos àquela relacionada às caixinhas do conhecimento científico (tenho curso superior, logo, sou intelectual). Refiro-me à intelectualidade que talvez demora a fazer parte do ser, mas quando passa a constituí-lo faz toda a diferença. Para mim, intelectualidade é perceber no humano a perfeição de um ser que por si só merece se desenvolver em sua plenitude, em sua integralidade. Nesse caso, o conhecimento científico, é bem verdade, tem papel fundamental, mas não é condição essencial. É preciso mais que ciência. Antes de tudo é necessário reconhecer-se humano, preceber que devemos nos importar com a vida humana, e rechaçar qualquer ideia que tome o homem como coisa, mero objeto descartável. Na sociedade do consumo, o intelecto parece estar programado para o consumo, mesmo que seja de seres humanos, considerados por essa mesma sociedade como coisas.
Falta humanismo, sensibilidade. Perceber o outro.
Fiz questão de tirar uma foto com algumas crianças do acampamento porque acredito nas crianças, embora tenham pela frente uma dura jornada de des-humanização na escola, no trabalho e na sociedade de modo geral.

Alex Dancini

sábado, 5 de junho de 2010

Exemplo infeliz

Saíram com um discurso sobre continuar tomando coca cola ou passar a tomar tubaína, referindo-se à eleição para presidente da república. Analisar esse enunciado é trabalho para os analistas do discurso, mas uma coisa tenho aqui para meus botões: esse Paulo Henrique Amorin às vezes, "quase sempre", fala cada besteira. Até concordo com a conotação que ele quis dar para tal enunciado, mas que ele poderia utilizar um outro exemplo, ah, isso ele poderia. Mas seria exigir demais de um jornalista que só depois que saiu da Globo, passou a defender e a propagar um discurso progressista. Aliás, o discurso do PHA é o discurso da classe média social democrata, contente com o Lula. Está explicado.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Duas medidas para a liberdade

O individualismo é, sem dúvida, uma das principais características dos indivíduos da sociedade capitalista. A violenta competitividade do livre mercado significa também a desumana competição entre os livres seres humanos da pós Revolução Francesa. Pelo que se pode perceber, a maior liberdade que o indivíduo da sociedade burguesa desempenha é, em primeiro lugar, em relação a si mesmo, quando tem liberdade para, apenas, vender sua força de trabalho ao capital. Ou seja, para entregar-se ao mercado e ser esfolado no “chão da fábrica”. Em segundo lugar, essa liberdade se estabelece na relação de um indivíduo com o outro, aquele que, para a sociedade capitalista, divide o mesmo espaço e, jamais, compartilha-o.

Quando defendemos a idéia de que existem seres humanos livres, numa sociedade pautada na divisão de classes, defendemos, ao que me parece, a existência de indivíduos que vivem em qualquer outro lugar, menos nesse mundo de barbáries, em que a maior delas se revela na simples, mas ao mesmo tempo complexa constatação: a exploração do homem pelo homem.

Para uma sociedade dividida em classes, poderíamos desdobrar o conceito de liberdade que marca a sociedade capitalista e estabelecer, claramente, ao invés de um, dois conceitos de liberdade. Ou seja, duas medidas para a liberdade exercida pelo indivíduo da sociedade burguesa: primeiro, a liberdade para ser explorado, excluído, maltratado pelo capital e pelo Estado. Segundo, a liberdade para explorar, excluir, maltratar e ter o capital e o Estado a sua disposição.

Nesse primeiro conceito de liberdade, o indivíduo tem um campo limitado de mobilidade e sua liberdade consiste, portanto, no trânsito ordenado entre as esferas do que poderíamos chamar de sub-mundo. Por exemplo, o indivíduo que é livre dentro dessas esferas, pode oferecer sua força de trabalho em diferentes locais¹, pode ir a um boteco (escolher dentre muitos), tomar uma pinga de péssima qualidade (escolher dentre muitas marcas) e pode voltar para sua casa , talvez, alugada (pode escolher dentre várias). Mas esse ser humano não “pode”, não tem condições econômicas para ir ao teatro; para tomar uma pinga de melhor qualidade, aquela que é exportada para ser vendida a preços similares aos de uísque no exterior e que é menos prejudicial à saúde; e para morar em uma casa que seja sua² . Já no segundo conceito, o indivíduo exerce sua liberdade num campo ilimitado e pode transitar por lugares exclusivos a sua classe, mas também pode visitar os lugares freqüentados pelos indivíduos da classe que é explorada e que sustenta a liberdade que está vinculada ao que aqui chamamos de segundo conceito. Ele pode ir ao teatro e pode ir ao boteco, pode tomar a pinga de melhor qualidade e também a pior pinga, e pode morar em uma mansão ou apenas alugar uma modesta casa.

Não é difícil perceber que uma sociedade dividida em classes divide também as oportunidades dos seres humanos, e os conceitos e os significados das palavras. Liberdade não tem o mesmo sentido prático para o dono da empresa e para o operário que nela trabalha. O conceito abstrato de liberdade pode ser um só, mas sua realização concreta revela dois ou mais conceitos, dependendo da classe a qual o indivíduo pertence.
¹ Não abordamos aqui a falta de vagas de emprego (o que é mais um empecilho à liberdade) , mas sim a condição de liberdade para a venda da força de trabalho em diferentes lugares.
² Estamos falando de um indivíduo que representa uma coletividade. Portanto, “sua” casa significa que todos tenham casas para morar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O patriotismo dos paranaenses depende da RPC

Os cidadãos paranaenses, de uns dias para cá, têm acrescentado velhas palavras as suas conversas rotineiras. Velhas palavras, velhos discursos. Velhas palavras, novos discursos. As palavras são as mesmas que há pouco comentavam sobre escândalos envolvendo parlamentres dos mais diversos estados brasileiros, reunidos em Brasília para decidirem(?) os rumos do país, os rumos de suas vidas, da vida de seus parentes; e até da vida de pessoas que jamais viram, como é o caso dos "laranjas" paranaenses, pessoas que tiveram seus nomes usados nos atos secretos da Assembléia Legislativa. Enfim, velhas palavras que, de tão recorrentes, tornam-se novas. Velha também é a ideia de pessoas que esperam ÉTICA na política da sociedade burguesa. Uma velha ideia, que de tão recorrente, torna-se nova, e causa tédio todas as vezes que a ouço. Acreditar em ética na política, nessa política que aí temos, é vislumbrar Papai Noel chegando no próximo natal. Nossa condição de cidadãos da sociedade buerguesa é tão deprimente que dependemos de uma organização comercial de comunicação (com interesses dos mais diversos, menos colaborar com "os cidadãos") para mostrarmos nosso patriotismo, sairmos às ruas, PERDERMOS uma aula falando nesse assunto, nos indignando, mais uma vez. Deveríamos nos colocar no lugar dos cidadãos que somos e esperarmos a próxima boa vontade de um jornalista que denuncie mais uma ação ilícita de nossos exímios REPRESENTANTES. Representantes da "democracia".

Alex Dancini

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A pedidos de meus leitores, hehe, e para o desespero de blogueiros que querem me ver longe da internet, estou eu a cá, novamente, a blogar.

Desta vez, apenas para retomar as postagens por aqui, farei apenas uma constatação.
É muito bom ver o constante crescimento da mídia alternativa e independente no Brasil, em especial, os blogs. Jornalistas, e muito bons por sinal, de jornais impressos com pouca circulação nacional, em muitos casos circulam apenas em sindicatos a algumas universidades, hoje escrevem para os quatro cantos do país, por meio de seus blogs.
A hegemonia midiática conservadora da elite branca brasileira ainda tem longa vida, independentemente do governo que venha a (re)assumir o governo em 2011. Mas o incômodo causado por alguns jornalistas blogueiros à grande mídia é notório.

Alex Dancini

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crise do Capital: Quem somos nós nessa história?

http://noticias.r7.com/economia/noticias

O link acima traz uma matéria, revelando que, segundo dados do Banco Mundial, 14 milhões de latino- americanos voltaram  a figurar entre os indivíduos que vivem na considerada "linha da pobreza". O fato que recolocou esse número de latino-americanos (novamente) na pobreza foi a crise estrutural do capital, que teve no ano de 2009 o seu apogeu, ou melhor, teve em 2009 a concretização de um problema que já se arrastava há algum tempo no mercado financeiro e que estourou para a sociedade no final de 2008 e perdurou ao longo de 2009.
Entre expectativas do "fim" do capitalismo por parte de setores da esquerda e a preocupação para manter o atual modo de produção por parte de setores da direita, ficou, ao fim e ao cabo, a miséria, a diminuição de salários e o aumento da degração das condições de trabalho dos operários.
14 milhões de pessoas que "voltaram" a ser pobres representa um importante quadro do que os movimentos sociais, sindicatos e governos ditos progressistas e até revolucionários poderiam ter feito diante dessa crise. O enfrentamento da, até agora, última grande crise do capital, restringiu-se a pequenas greves, algumas passeatas e várias reuniões políticas. Por mais que essas ações signifiquem um contraponto às medidas tomadas pelo mercado, não foram suficientes para, no mínimo, iniciar um diálogo com a classe trabalhadora.
Segundo analistas políticos e sociólogos de diversos países, a América Latina reúne hoje, talvez, os governos mais progressistas do mundo ou que se apresentam por desenvolver políticas revolucionárias em seus países. No entanto, a crise, ao jogar 14 milhões de latino-americanos "novamente" na pobreza, oferece a nós a oportunidade de (re)pensar as práticas revoluvionárias que temos tido. Onde estamos que não próximos a esses 14 milhões? 
Talvez tenhamos pensado uma revolução a paritr dos limites que a própria lógica sistêmica do capital nos possibilita. E aí, continuaremos a apenas discutir salários, lutar por casas populares para acabar com as favelas e montar cooperativas de catadores de papel, torcendo para que sempre haja papel nas ruas e assim os catadores sempre tenham com o que se sustentar e a cooperativa nunca acabe, para que sempre tenha alguém se vangloriando do projeto e se sensibilizando com a pobreza.

Alex Dancini

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Espaço Marx

Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, começam as atividades do Espaço Marx na FECILCAM. Um espaço de debates teóricos e que articula a importância de se adquirir novos conhecimentos e de se fazer novas amizades e manter as já existentes.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um compromisso, uma luta intensa.

Publico abaixo, o texto lido aos participantes da colação de grau dos cursos de Letras, Geografia, Pedagogia, Matemática e Turismo e Meio Ambiente, da FECILCAM.


O dia 04 de fevereiro de 2010 certamente ficará na memória daqueles que por quatro anos ou mais ocuparam uma cadeira do ensino superior da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão, seja qual for o curso. A FECILCAM transformou-se na segunda casa de todos nós. Formamos ali uma segunda família, um círculo de amizades que nos ajudou a enfrentar as mais difíceis jornadas. Quem aqui não se lembra de ter chorado alguma vez pelos corredores da FECILCAM e de repente aparecer um ombro amigo para lhe confortar e lhe oferecer o colo que colhe a gota de uma lágrima. Mas também teve aquele abraço de felicidade, de felicitar o amigo pela aprovação em mais um ano, pela boa nota alcançada no final do bimestre... enfim...pelo sorriso que o outro trazia no rosto.

Assim o tempo passou, a roda da história andou e para traz ficou aquilo que poderíamos ter feito de modo diferente. Não é possível voltar. Ficou também o professor ou a professora que gostaríamos que nos acompanhasse pelas próximas jornadas. Não é possível levá-lo conosco. Ficou para traz aquela pessoa que não a conhecíamos antes de adentrarmos à faculdade e que de tão especial que ela se tornou, gostaríamos de levá-la conosco, mas não é possível. Os levaremos no coração e ficaremos na expectativa de que as circunstâncias da vida não nos afastem mais do que já estamos agora. Caros colegas, autoridades e familiares, por que, muitas vezes,3 não damos a devida importância para as relações sociais no dia-a-dia? Damos a devida importância que as relações entre os seres humanos merece, apenas quando chega o último dia.

O espaço acadêmico proporciona uma convivência intensa e bonita entre indivíduos. Mas também proporciona o contato com algo que para muitos de nós estava muito distante: o conhecimento científico. Como diria Mauro Iasi, numa poesia:
“O conhecimento caminha feito lagarta...primeiro não sabe que sabe...e voraz contenta-se com o cotidiano orvalho...deixado nas folhas vividas das manhãs”. E assim éramos nós, atentos a tudo, mas inseguros se sabíamos ou não o que havíamos estudado e incertos se estávamos realmente aprendendo. Continua Mauro Iasi: “Depois [o conhecimento] pensa que sabe...e se fecha em si mesmo...faz muralhas...cava trincheiras...ergue barricadas...defendendo o que pensa saber...levanta certezas na forma de muro...orgulhando-se de seu casulo”.
E assim éramos nós, certos de que estávamos sempre com a razão e que detínhamos o saber que nos tornava, talvez, diferentes daqueles que ali não estavam, nunca estiveram e, possivelmente, nunca estarão. Triste Ilusão. Mas num certo momento, o conhecimento atinge uma maturidade...e continua Mauro Iasi: “até que maduro...[o conhecimento] explode em vôos...rindo do tempo que imagina saber...ou guardava preso o que sabia...voa alto sua ousadia...reconhecendo o suor dos séculos...no orvalho de cada dia...mesmo o vôo mais belo...descobre um dia não ser eterno...É tempo de acasalar...voltar à terra com seus ovos...à espera de novas e prosaicas lagartas...O conhecimento é assim...ri de si mesmo e de suas certezas...é meta de forma, metamorfose/movimento, fluir do tempo...que tanto cria como arrasa...a nos mostrar que para o vôo é preciso tanto o casulo  como a asa”. (Aula de vôo, Mauro Iasi)
Caros colegas formandos, familiares e autoridades, vivemos na chamada “sociedade do conhecimento”. No entanto, a maioria da população brasileira, para não dizer mundial, está totalmente excluída de freqüentar um importante espaço de produção de novos conhecimentos e de valorização do conhecimento que a humanidade já produziu e que hoje nos é caro. O Ensino superior está de portas abertas para poucos. Fecha-se à classe trabalhadora. Somos exceções porque vivemos numa região extremamente pobre e aqui os filhos dos trabalhadores ainda conseguem um espaço no Ensino Superior Público. E esta realidade se arrasta pela história desta sociedade capitalista individualista e predadora que impregnou a consciência das pessoas com o pensamento meritocrático. A solidariedade deixou de existir nas ações dos seres humanos e passou a existir apenas no mundo das idéias. Assim, esperamos que o mundo seja solidário, mas nós, que somos sujeitos históricos desse mesmo mundo, muitas vezes não somos solidários com os seres humanos que nos circundam.
E a escola está impregnada da falta de solidariedade. Seja entre os professores, seja entre os estudantes. Caros colegas, possivelmente neste ano ou num futuro próximo, estaremos dentro de uma sala de aula, trabalhando como educadores e presenciaremos uma realidade já conhecida por muitos aqui, uma realidade que requer trabalho intenso e a reflexão de que os problemas existentes hoje na escola são históricos. Portanto, caros colegas formandos, não há curso de motivação que dê jeito neste sistema educacional, pois tenta-se tratar aquilo que nos é aparente e se esquece de agir na essência do problema . A educação e a escola que queremos só acontecerá com a luta daqueles que dela fazem parte, a luta que move a roda da história. E para não pararmos no tempo e ficarmos alheios ao movimento histórico do qual fazemos parte é preciso persistir e jamais para de estudar...mesmo que não seja o estudo formal, pois estudo “é a aplicação do espírito para aprender”, aprender, mesmo que seja qualquer coisa, desde que qualquer coisa nos torne seres humanos mais solidários e mais sensíveis à vida.
Para terminar: 
"Os jovens... e eu me vejo como um... nós precisamos estudar e estudar pesado. Nós não devemos dizer que meus olhos ardem ou que eu não gosto de ler, que eu fico cansado, que não há óculos, que eu tenho muita vigia, que as crianças não me deixam dormir... todas essas coisas que as pessoas levantam. Nós precisamos estudar por todos os meios." (Ernesto Guevara de La Serna)

Obrigado!

Alex Dancini

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A direita e a violência

Na última segunda-feira, 01, dia da estréia do reality show da polícia do Estado de São Paulo, o Governador do Estado, o seretário de segurança de São Paulo, o comandante da Polícia Militar e o Delegado-Chefe da polícia civil de São Paulo participaram do programa Super Pop, da REDETV. José Serra, como era de se esperar, elegeu o tráfico de drogas como maior responsável pela violência em São Paulo e no Brasil. Em segundo lugar vem o tráfico de armas, que segundo ele, dá suporte para os bandidos enfrentarem a polícia. Disse ainda, que a polícia de São Paulo recupera todos os meses milhares de armas contrabandeadas, mas as ações policiais não são suficientes para acabar com o tráfico de armas do crime organizado. Muito bem camaradas, lá pelas tantas do programa, a apresentadora Luciana Gimenez perguntou ao Governador porquê a polícia não (re)utiliza as armas apreedidas na luta contra o crime organizado. Segundo ela, a polícia teria mais "poder de fogo". No meio do raciocínio da apresentadora, o delegado-chefe da polícia civil disse a seguinte frase: "issso não compensa. O Estado oferece para  a polícia armas mais potentes e mais modernas que as que são recuperadas".
Camaradas, ou o delegado-chefe quis encher a bola do Estado enquanto instituição responsável pela manutenção da segurança pública ou quis desmentir todos os direitistas desse país que afirmarm que os criminosos possuem armas mais potentes que as da própria polícia.
Na dúvida, prefiro acreditar que a direita brasileira não encontra argumentos sólidos para justificar a luta contra a violência pela via das forças armadas, da polícia. Se poder de fogo fosse a melhor saída contra a violência não existiria mais violência no Brasil e no mundo. Ou será que o exército brasileiro ou a própria polícia não tem muito mais poder de fogo que o próprio crime organizado? Há quanto tempo existe a polícia? Por que, então, não se acaba com a violência? Justamente, porque esse caminho escolhido pelo Estado capitalista de acabar com a violência não é o mlehor e nunca dará certo.
Os capitalistas sabem, mas nunca admitirão, que o problema da violência é estritamente social. O antagonismo de classes produziu a luta pela vida a qualquer preço, e nessa luta, muitas vezes, pouco importa matar ou morrer. E como é uma luta, as partes nela envolvidas procuram encontrar todos os meios para serem mais forte, e assim, sobreviver. O crime se organiza, mas o principal problema não é sua organização, pois essa etapa é apenas uma questão de estratégia e tática. Para acabar com a violência é preciso resolver o problema central da sociedade capitalista: a divisão de classes, adesigualdade social, mais do que isso, a opressão do homem pelo homem.

Alex Dancini

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

José Serra quer ser Americano

O governo do Estado de São Paulo estreou na última segunda-feira, 01, na REDETV, um programa chamado "Operação de Risco". Trata-se de um reality show policial, no qual algumas ações da polícia de São Paulo são filmadas, editadas, é claro, e depois apresentadas no programa que tem duração de uma hora. Algo muito parecido com o que já foi feito no Estados Unidos há mais de 20 anos. Uma sacada de um governante que não sabe mais o que fazer para tentar aumentar seus pontos nas pesquisas eleitorais na corrida presidencial deste ano. A política socialdemocrata acrescida de uma forte dose de políticas neoliberais tem atingido o extremo da tolerância de muita gente espalhada por esse Brasil. Não restando outra saída, os políticos neoliberais (José Serra é um deles) apelam para alternativas que beiram a burrice. A ideia do governo do Estado de São Paulo é estúpida. Tenta criar no imaginário social a ideia de uma polícia eficaz, combatente, muito bem armada; uma ideia de políciais guerreiros, heróis. A direita ainda acredita que mais policiais é igual a mais segurança para a população. Caros camaradas, quanto mais policiais se tem mais violência se produz. Os governos trabalham com estatísticas, assim, quando aumenta o contingente de policiais é sinal de que a coisa vai mal.
Apesar de a ideia de José Serra ser estúpida, devo concordar que ela vai levar muitos paulistanos a terem orgulho da polícia (militar, civil e rodoviária) de São Paulo, afinal, o programa passa por uma rigirosa edição e só vai para o ar as ações que deram certo. O apoio camarada aos trabalhadores da polícia de São paulo, que ganham pouco, mas trabalham.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Homem primata, capitalismo selvagem

Assistir a uma peça de teatro é para a maioria dos trabalhadores algo muito próximo do impossível. Vivemos numa sociedade em que os proprietários dos meios de produção buscam a todo momento aumentar seus lucros, para assim aumentar seu capital financeiro. Para aumentar os lucros é necessário mais trabalho humano, e muitas vezes, mais trabalho humano não significa mais indivíduos trabalhando, mas sim, o aumento da jornada de trabalho daqueles que já ocupam os postos de trabalho. Nesse sentido, um trabalhador chega a trabalhar de 10 à 12 horas por dia num rítmo acelerado, já que quanto mais produz mais o patrão ganha e menos chance tem o operário de perder seu emprego. Assim, não sobra tempo e tampouco coragem para o trabalhador assistir atentamente a um espetáculo de teatro (para não falar na falta de grana). O ser humano é uma máquina. Máquina de produzir lucros. Sobrevive com aquilo que os donos do capital calculam que seja necessário para que ele tenha forças para produzir. Nada mais. O resto é supérfluo.
O lazer e o prazer de "ser humano" não existe para o trabalhador no modo de produção capitalista. Desse modo, o sentido de vida de um trabalhador se resume em trabalhar (vender sua força de trabalho) para alguém. Se não tem trabalho, perde-se o sentido de viver e matar ou morrer é apenas um detalhe.
E é justamente por essa  e outras razões que não medimos esforços para levar um pouco de lazer e prazer a trabalhadores e filhos de trabalhadores de diversos cantos do Paraná.
A Oficina de Teatro Popular, sob a responsabilidade do oficineiro Márcio Pessati, levou o encanto que envolve um personagem e sua interpretação, o encanto das cortinas que se abrem e fecham na frente do palco e o encanto da poesia que há muito ou nunca tinha chegado aos ouvidos e aos olhos do lavrador de calos na  mão. Nem mesmo a jovem menina que todos os dias às 5:30 da manhã se levanta para tirar o leite. E tampouco à zeladora da escola rural, que é educadora, mas está excluída da arte que torna o ser humano mais sensível e mais humano.

Que vale ao intelectual seus conhecimentos se não consegue perceber a simplicidade do ser humano. No capitalismo, o simples se torna ausente, porque precisamos sempre nos atualizar com o novo que nos parece complexo, e nos relacionamos com o outro por meio do novo, as relações sociais se tornam complexas, são difíceis de entender. Como não há tempo para entender, dançamos conforme a música e não nos relacionamos com o outro, estabelecemos sim, uma luta constante em que só há um perdedor: o ser humano.
A música que embala essa dança pode ser esta: " homem primata, capitalismo selvagem...ôôô"

Alex Dancini

Bela experiência



Lindoeste, pequena cidade próxima a Cascavel. A base econômica do município é a produção agrícola dos vários assentamentos do MST, inclusive, a do assentamento Vitória, o qual tive o prazer de visitar e conversar com alguns assentados. Juntamente com os camaradas Moisés e Márcio Pessati, assessores do Deputado Federal Dr. Rosinha (PT-PR), pude aprender um pouco mais sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Um assentamento que existe há 24 anos e que possibilitou a várias famílias satisfazer suas necessidades enquanto seres humanos se apropriando daquilo que produzem. A grande maioria das famílias mora em casas confortáveis (para o padrão popular, é claro), e se não estivessem ali, possivelmente, estariam aumentando a estatística das famílias que moram nos morros das grandes cidades e que a cada chuva são obrigadas a deixar suas casas (barracos) por motivo de segurança. Embora haja muita coisa em que o MST precisa avançar, não dá para negar a importância do Movimento no processo de reforma agrária no Brasil.

Crônica de um menino pobre

Ele vai pelo pátio da escola. A passos curtos carrega uma sacola numa das mãos e na sacola sacos, de leite. Cortante como navalha a alça da sacola faz doer a fina pele de sua mãozinha, a outra ele levanta a meia altura para fazer contrapeso ao leite.
Cabisbaixo, só levanta sua cabecinha quando vê ao lado uma doce menina que caminha com sua mãe. Ela tem nas mãos o carinho que a acalma e não uma navalha. Ele se sentiu diferente. Pela navalha, pelo leite, pela roupa; por ele. Para uma criança, sentir-se diferente é qualquer coisa como uma dor que dói e de tanta dor não se é possível sentir...só um olhar é capaz de mostrá-la. O olharzinho dele mostrou. Ele ainda não entende o porquê da diferença, mas sente. Sente o leite e a sacola que faz cortar suas mãozinhas. Ele não a agüenta mais. Ele não se agüenta mais e vai explodir. De alguma maneira hoje ou amanhã o menino das mãozinhas que a sacola do leite fez doer irá exteriorizar o que desde muito cedo ele sentiu: a divisão de classes. A passos curtinhos ele ultrapassa o portão da escola e, na rua, coloca a sacola nos ombros...aliviou a dor das mãos, mas dificilmente apagará a dor do coraçãozinho que calado não entende o que vê, mas sente o que vive.

Alex Dancini

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Educação a distância

A educação a distância, desde quando ganhou expressão no Brasil, a partir de meados da década de 1990, quando a LDB de 1996 legitimou essa modalidade de educação, vem gerando grandes discussões entre os intelectuais que se propõem a debater a educação de um modo geral.

Na década de 1990, a educação a distância, ainda sem expressividade no Brasil, resumia-se numa modalidade de educação por correspondências. A comunicação entre professores e alunos se dava por meio dos Correios, que transportavam os textos e exercícios utilizados pelos indivíduos envolvidos nessa modalidade educacional.

No entanto, com o inevitável avanço da internet, também tornou-se inevitável a migração da educação a distância para a versão on line, na qual foi possível assistir a aulas em tempo real, por meio de vídeo-aulas produzidas especificamente para um público especial, a saber, os estudantes da educação a distância.

O avanço tecnológico alavancou também o crescimento dessa nova modalidade de ensino, que passou a ser mais acessível e com um custo mais reduzido para os estudantes. Estima-se que há cinco anos atrás apenas 220 mil estudantes estudavam em aulas não presenciais, número que espantosamente cresceu para 1,2 milhões de estudantes, nesse final da primeira década do século XXI.

Sem dúvida, existe uma euforia acerca do crescimento do ensino a distância no Brasil e esse fato ocorre, a meu ver, por dois fatores que são primordiais, quando analisamos o ensino não presencial, a saber, a inserção de uma grande quantidade de pessoas na educação formal (a distância) e a necessidade mercadológica de se produzir mais um meio para gerar lucro (a educação como mercadoria).

Em uma sociedade em que se torna cada vez mais necessário qualificar-se em alguma profissão e, principalmente, ter uma profissão, qualquer oportunidade que se ofereça terá uma boa aceitação, e mais do que isso, terá uma grande procura. Assim, oferta-se uma mercadoria atraente e sempre existirá alguém pronto para comprá-la. A circulação de ideias, e dentre estas, a de que é necessário ter um diploma de ensino superior para se conseguir um bom emprego e uma (in)certa estabilidade profissional e financeira, gera uma grande procura por uma modalidade de ensino que é acessível àqueles que dificilmente se veem num curso superior presencial. Em um país onde a educação básica, fundamental e média não dá conta do desenvolvimento humano e intelectual dos indivíduos, a educação à distância, enquanto modalidade de ensino superior de fácil acesso se torna a primeira e talvez a única opção de estar entre aqueles que compõem a pequena parcela da sociedade que possui um diploma do ensino superior. Nesse sentido, corre-se o risco de deixar de lado o debate pelo aumento do número de vagas no ensino superior público e aceitar o ensino a distância sem questioná-lo, porque essa modalidade de ensino responde à necessidade imediata daqueles que querem cursar o ensino superior, mas que não conseguem entrar pela via excludente chamada vestibular.

Dentre os vários discursos que foram desenvolvidos para defender o ensino a distância, destaca-se aquele que estabelece uma comparação entre o Brasil e os países economicamente desenvolvidos, onde, segundo algumas pessoas, a educação a distância deu certo. Nesse caso, há um consenso de que o Brasil é diferente desses países no aspecto econômico, pois se trata de uma economia em desenvolvimento. Entretanto, quando o assunto é educação, tudo parece muito igual, para não dizer idêntico, uma vez que querem reproduzir por aqui um modelo de educação que pode ter dado certo nesses países desenvolvidos, mas que pode não dar certo no Brasil, dadas as grandes diferenças existentes entre essas nações.

Se economicamente o Brasil, até pouco tempo atrás, era considerado um país de terceiro mundo, também o era na questão educacional (nessa questão ainda é), e portanto, é necessário estabelecer uma diferença nas condições em que esse modelo foi desenvolvido “lá fora” e em quais será desenvolvido aqui no Brasil e, principalmente, qual era a finalidade da educação a distância nos países desenvolvidos e qual é a finalidade aqui no Brasil. Ora, se economicamente existe disparidades entre o Brasil e os chamados países do primeiro mundo, todas as demais partes da sociedade (o sistema educacional é uma delas) acompanham essa disparidade. Assim, o discurso lógico que existe em torno da educação a distância, afirmando que se deu certo “lá fora” dará certo aqui no Brasil é descontextualizado e dissemina uma idéia rasteira acerca da complexidade que existe em acerca do ensino não presencial.

Embora acredite que a educação a distância tenha mais pontos negativos que positivos, é preciso reconhecer que essa modalidade de ensino é importante para possibilitar a inclusão de pessoas que vivem em regiões longínquas e que dificilmente teriam acesso a um determinado conhecimento sistematizado se não fosse por meio da educação a distância. No entanto, esse pensamento não pode pautar todas as ações acerca do ensino não presencial. Existem regiões onde há universidades e faculdades públicas e privadas, mas que co-existem, nesse mesmo espaço, o ensino não presencial. Assim, o discurso do ensino a distância como meio de inclusão já não serve para esse contexto, e infelizmente, acaba se sobrepondo à complexidade que envolve o problema relacionado ao número reduzido de vagas no ensino superior público no Brasil. E de modo algum, o ensino a distância é a melhor maneira para transformar essa realidade.

Em contraponto à educação a distância, temos a educação presencial que se resume no ensino em que aluno e professor compartilham o espaço da sala de aula diariamente e no qual o professor atua como mediador entre o conhecimento científico e os saberes que o aluno já domina, oriundos de sua (com)vivência social. A educação formal presencial é defendida pela grande maioria dos intelectuais que se propõem a discutir educação e ensino, pois é nesse modelo que os estímulos e as possibilidades para o aprendizado ocorrem ou deveriam ocorrer com mais eficácia. Sem cair no erro de generalizar e dizer que o ensino presencial é totalmente eficaz e que o ensino a distância não oferece boas condições para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra com qualidade, prefiro optar pelo ensino presencial e discutir e apresentar soluções para a superação de seus principais problemas. A educação não presencial é necessária para algumas situações (como a já apontada acima), mas da maneira como vem sendo tratada, temo o perigoso juízo de que ela pode, a qualquer momento e em qualquer lugar, substituir a educação presencial.

Alex Dancini