quarta-feira, 7 de julho de 2010

Via eleitoral

Dilma e Serra gastarão, cada um, a cifra de R$180 milhões de reais, na corrida pelo Planalto. Isso é o que se declara ao público. Sabemos que a grana é muito maior.

O vice de Marina Silva declarou um patrimônio de mais de um bilhão de reais. Coitado do Chico Mendes. Deve não se conformar com os rumos tomados por sua companheira de luta.

Os partidos que se declaram da esquerda radical, se somadas as cifras que gastarão na campanha, não passam de 1% do que Serra e Dilma gastarão em suas campanhas individuais.

O tempo de propaganda na TV ainda segue a lei do mais forte. A maior coligação se dá ao luxo de ter mais tempo para convencer os eleitores, cidadãos de bem, que colocarão em prática a cidadania burguesa.

Viva a democracia pintada em verso e em cores pelas ruas da cidade, corre solta, plena liberdade. Que ninguém explica o que é, finge-se que existe, e cobra-se quando não é praticada.

Salve!! Cecília Meireles e o Romanceiro da Inconfidência.

terça-feira, 6 de julho de 2010

COPA DO MUNDO E NACIONALISMO


Me parece salutar discorrer algumas linhas para registrar o exacerbado patriotismo mostrado pelos brasileiros durante o mundial da África do Sul.

O nacionalismo dos brasileiros fortemente ligado à seleção brasileira de futebol é motivo de duras críticas feitas pelos críticos de plantão, trata-se de professores, jornalistas, um ou outro político, dentre outros. Essa crítica a qual me refiro tem sua razão de existir, no entanto, erra-se o alvo. Nas palavras da maioria desses críticos percebe-se que o cidadão brasileiro só segura a bandeira do país, símbolo máximo da nação, em época de copa do mundo. Este é o principal motivo que suscita a crítica. Dizem eles que o brasileiro deveria ser nacionalista, patriota em todo o tempo, não apenas durante a copa do mundo.

Ora, fico me perguntando quais os motivos que o brasileiro tem para ser patriota. Os críticos sempre usam o exemplo dos americanos e dizem que lá (nos EUA) os cidadãos amam e defendem o seu país. Muito bem, os EUA representam o império da sociedade capitalista, dominam o restante da humanidade, e seus cidadãos se orgulham disso e ostentam esse respeito. Outros exemplos utilizados são dos cidadãos franceses, espanhóis e inlgeses. Nota-se que todos esses países em algum período da história colonizaram dezenas de povos, mataram homens, mulheres e crianças, escravizaram, e assim, constituíram-se como nações fortes e soberanas em algum momento. Desse modo, a própria cultura popular, ou seja, a educação que não requer o conhecimento da escola formal, já educa o cidadão como alguém que faz parte de uma nação que foi dominadora, que tem sua língua falada em outros países, que tem artistas plásticos reverenciados em todo o mundo, etc. Para os cidadãos desses países, por exemplo, o futebol é, às vezes, algo a mais no dia-a-dia. A copa do mundo, para esse países, é um evento esportivo importante que requer bandeiras e o cantar do hino nacional, mas de modo algum a seleção de futebol é algo que mereça ser reverenciado, pois existem heróis históricos, com feitos históricos grandiosos que ocupam esse lugar.

E no Brasil? O Brasil é conhecido mundialmente por ser o melhor no futebol. O protagonismo histórico do Brasil no mundo e dentro do próprio país ainda é o fato de ser penta campeão mundial. O brasileiro se enche de orgulho justamente no momento em que se celebra o maior evento do futebol em todo o mundo. É aí que aflora seu nacionalismo, e é nesse momento que ele mais mostra seu amor à pátria.

Que mal existe nisso para ser tão criticado. O fator decisivo nesse fato é cultural e histórico, portanto, se queremos mostrar nossa criticidade, que sejamos no mínimo coerentes e analisemos o fenômeno em sua raíz. O brasileiro sente a falta de feitos históricos que tenham o Brasil como protagonista, de referência humana que possa despertar o respeito e a admiração. O Brasil como país colonizado teve vários homens e mulheres que lutaram contra o massacre humano desde há muito realizado por aqui, e que merecem ser admirados, mas muitos de nossos professores, por exemplo, não os conhecem, e se conhecem, os tratam como meros bonecos da História. Na escola, lugar onde se deveria conhecer esses indivíduos que fizeram parte da história de exploração do Brasil pelos países europeus e os EUA, não se conhece. Antônio Conselheiro, por exemplo, um resistente e bravo lutador, defensor do brasileiro expropriado, é assunto de umas três aulas de  História. Depois disso, ninguém mais houve falar seu nome.
Apenas para se comparar, a torcida da seleção argentina , nos jogos de sua seleção na copa do  mundo, exibe ao lado da bandeira do seu país uma bandeira com a figura de Che Guevara - e de quebra, presenteiam Nelson Mandela também com uma bandeira. E a torcida do Brasil, exibe o quê?

Querem que o brasileiro, além da seleção brasileira, se orgulhe de quê, de quem? Ela nem homenageia os africanos que lutaram contra algum tipo de opressão e preconceito, como é o caso de Nelson Mandela. As figuras que os brasileiros fazem questão de exibir são a do Pelé, a do Ronaldo (fenômeno), Ronaldinho Gaúcho, etc. Isso é culpa do trabalhador brasileiro? E toda a propaganda que é feita sobre essas mercadorias a pouco citadas?
Os brasileiros aprendem desde crianças tudo sobre futebol, e nada sobre literatura e História. Querem que os brasileiros sejam patriotas de que maneira? Os brasileiros são patriotas como qualquer cidadão estadunidense, inglês, espanhol, etc., mas manifestam esse sentimento de uma forma diferente e por algo talvez banal se comparado aos feitos históricos sejam de dominação ou de resistência. Mas a pergunta que fica é: Queremos "tirar leite de pedra"?

O problema não é O brasileiro. O problema é histórico. Nada mais positivista que criticar o trabalhador que sai com uma bandeira pendurada em sua bicicleta, torcendo para o Brasil. Ele está certo. Às vezes, esse é um dos poucos momentos em que ele se sente brasileiro, feliz, parte de uma nação.
Voltando aos exemplos que muitos professores usam e exaltam como cidadãos defensores de sua pátria, poder-se-ia falar dos cidadãos cubanos, dos irarianos, dos argentinos. E, além disso, explicar o porquê são nacionalistas, patriotas.
 
Alex Dancini

MARADONA REVOLUCIONÁRIO


Alguém escreveu na imprensa por esses dias que o técnico da seleção argentina se comporta como um revolucionário, "se acha", age como típíco argentino.

Acredito que o futebol se tornou burocrático.O que está em jogo, durante um jogo, não é apenas a vitória de uma equipe sobre a outra. É muito mais que isso. O futebol tornou-se uma verdadeira "bolsa de valores", é muito dinheiro envolvido nos resultados. Os resultados projetam treinadores, jogadores. Equipes vencedoras servem de vitrine para propagandas de grandes corporações.Grandes empresas negociam jogadores como qualquer outra mercadoria

Por isso, acredito que o futebol perdeu sua característica de "esporte alegria", e passou a ter como principal objetivo o resultado positivo, ou seja, vencer. Vencer de qualquer jeito. Jogar feio, retrancado, futebol burocrático. As seleções européias são o grande exemplo disso, e oBrasil passou a copiá-las porque exigiu-se isso da seleção que está no topo. As seleções africanas até a copa do mundo de 2006 jogavam pra frente, futebol alegre, contagiante e gostoso de se vê. Nessa copa, tudo mudou, e tornaram-se burocráticas também. Como não estavam acostumadas com esse jeito de se jogar, foram desclassificadas na primeira fase. Na próxima copa, possivelmente, já estarão mais preparadas para esse tipo de jogo. Somente a seleção de Gana "joga pra frente", futebol bonito, e está nas quartas-de-final. As seleções sulamericanas também ainda mantêm o futebol arte, não querem saber do futebol burocrático.

Enfim, fiz esses comentários para dizer que Maradona, no futebol, é revolucionário. Argentina é futebol arte, joga pra frente. Pode até perder para o Brasil, sair da copa antes que o Brasil, mas joga o verdadeiro futebol. Penso até que isso causa uma tremenda frustração aos brassileiros, porque a Argentina joga como os brasileiros gostariam que a seleção brasileira jogasse.

Prefiro o futebol arte.

Alex Dancini

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Serra e os latifundiários brasileiros

Evento da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)

É notícia no Estadão: José Serra (PSDB) aproveitou para fazer promessas de campanha e lançou críticas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
"O MST é um movimento que se diz de reforma agrária quando, na verdade, usa a ideia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionária socialista no Brasil. Não quero reprimir, não. Só sou contra que usem dinheiro do governo para isso, não dá", disse Serra, ao comentar uma das críticas feitas pela CNA sobre insegurança jurídica.
A confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, pode ser chamada, para se trocar em miúdos, de Confederação dos latifundiários do Brasil. Por latifundiários do Brasil, entende-se um pequeno grupo de famílias que possuem uma grande porção de terras (algumas delas possuem 5 mil, 10 mil hactares) do território brasileiro (agrícola), em sua grande maioria, griladas, em outros termos, roubadas. Durante muito tempo no Brasil, importunou-se tanto a vida de camponeses, em alguns casos, com ameaça de morte, em outros, com a morte em cena, que tais camponeses não tiveram outra opção a não ser entregar seu pequeno “pedaço” de terra para os grileiros, hoje, mas conhecidos como fazendeiros e suas respectivas famílias.

Muito resumidamente, esta é parte da história agrária do Brasil. Sem falar na captanias hereditárias e seus donatários.

José Serra começou sua campanha em meio aos seus. Acho que só existe um lugar onde José Serra é aplaudido em massa, no evento da CNA. E é aplaudido porque os latifundiários brasileiros não têm outra opção.

José Serra, por incrível que pareça, foi bem em sua fala, dentro daquilo que se espera dele (dias atrás, nem isso ele conseguia fazer), quando disse que o MST é um movimento revolucionário. Com todos os problemas existentes numa organização social, como assim o são os movimentos sociais, o MST luta por uma TRANSFORMAÇÃO ESTRUTURAL, nesse caso, do modelo agrário brasileiro. Trata-se, portanto, de um movimento revolucionário. Na verdade, o que mais incomoda Serra e sua turma não é o possível dinheiro que o MST recebe do governo, mas sim o fato do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra querer revolucionar a vida dos camponeses e fazer justiça a todos os camponeses mortos nos processos de grilagem de terras e àqueles que tiveram de deixar o campo e se aventurar num beco qualquer das grandes cidades a procura de emprego (inclusive, muitos deles já morreram com a últimas enchentes em São Paulo, Rio de Janeiro e no Nordeste brasileiro).

Revolucionar é radicalizar na mudança. Por isso, estou junto com o MST por um Brasil soberano, por um mundo soberano, no limite, uma outra sociedade, a qual Serra optou por chamar de SOCIALISTA.

Alex Dancini

terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma guerra anunciada

Enquanto estamos entusiasmados com mais uma copa do mundo, e, provavelmente, mais uma em que a seleção brasileira chegará à final, Fidel Castro faz reflexões acerca de uma guerra que a cada dia se torna mais concreta. Trata-se da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Os EUA com o apoio de Israel ameaçaram interceptar navios cargueiros iranianos em águas internacionais. Simples assim. O império do mundo, com toda sua petulância bélica, decide que vai "controlar" o que sai e o que entra no Irã.

Desde 1979 o Irã é um país "caçado" pelos Estado Unidos. Essa caça tem por motivo a subversão do Irã contra a dominação branca que o Reino Unido, juntamente com os EUA queriam implantar em solo Islâmico. A Revolução Islâmica marca a liberdade do Irã enquanto nação. Assim como aconteceu com Cuba. 

Cuba, em 1962, esteve na mira dos Estados Unidos que ameaçavam atacá-la, e ao mesmo tempo, atacar os revolucionários com armas nucleares maciças. Tudo porque resolveu não obedecer mais à ordens do império mundial chamado Estado Unidos da América.A LIBERDADE Cubana custou 50 anos de embrago econômico praticado pelos EUA. Mas, por outro lado, trouxe a erradicação do analfabetismo, em Cuba, a menor taxa de mortalidade infantil, em Cuba, a medicina mais avançada do mundo (que só não avança ainda mais por conta do embargo), em Cuba. Enfim, Cuba tem vários problemas, mas não se pode jogar no lixo a bravura de um povo que mesmo partindo, na época da revolução, de uma economia defasada, de condições estruturais extremamente precárias, conseguiu mostrar para o mundo, que é possível viver em uma sociedade que priorize a vida, o ser humano, a humanidade, a solidariedade.

A bravura do povo cubano pode ser vista no povo iraniano. Os Estados Unidos querem matar todos aqueles que disseram não a sua exploração, a sua destruição das riquezas naturais dos povos por eles colonizados. Querem matar Cuba, e querem matar também o Irã. Se preparam para matar a Venezuela, depois a Bolívia, depois o Equador. Não se assuste, os EUA matarão a América Latina porque se não matarem serão eles que morrerão. Morrerão de fome ou depressão, porque se trata do último Estado do mundo que está preparado para viver na miséria. Falo do Estado Americano e não do povo dos Estados Unidos. As barbáries do Estado Americano, chefiado atualmente pelo lobo em pele de carneiro, adorado por muitos militantes brasileiros, Barack Obama, não representam o pensamento do povo americano. Representam, sim, a vontade de crescer e de lucrar das grandes corporações; os monopólios que dominam o capital.

Assim, uma guerra poderá ser presenciada por todos nós sem que tarde muito a acontecer. O comandante da Armada do corpo elite dos Guardiões da Revolução Islâmica, General Ali Fadavi, disse que não vai recuar caso haja um ataque por parte dos EUA e Israel. Resta-nos aguardar mais uma investida do capital contra os camaradas que um dia disserão não à continuidade da barbárie.

Alex Dancini

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Somos humanos

É sempre muito bom visitar os companheiros do acampamento irmã Dorothy Stang, de Barbosa Ferraz. Em primeiro lugar porque o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é um movimento social que luta para transformar a estrutura do modelo agrário hoje existente no Brasil, e na esteira dessa luta, pauta também a transformação do modo de produção da vida humana de modo geral, ou seja, a superação do modo de produção capitalista. Em segundo, mas não menos importante, porque vejo no rosto cansado daqueles trabalhadores, o rosto de meu pai; e no rosto cansado daquelas trabalhadoras, o de minha mãe. Lembro-me dos tempos difíceis da Bóia-fria. Meu pai carpinava uma "rua" de café a voltava para ajudar-me, já que eu não conseguia acompanhar os adultos. Meu pai trabalhava por nós dois. Não acredito em heróis, acredito em meu pai.

Tenho para mim que a intelectualidade cada vez mais humaniza o homem. Não refiro-me à  intelectualidade submissa ao mercado e à imediaticidade de um certificado. Muito menos àquela relacionada às caixinhas do conhecimento científico (tenho curso superior, logo, sou intelectual). Refiro-me à intelectualidade que talvez demora a fazer parte do ser, mas quando passa a constituí-lo faz toda a diferença. Para mim, intelectualidade é perceber no humano a perfeição de um ser que por si só merece se desenvolver em sua plenitude, em sua integralidade. Nesse caso, o conhecimento científico, é bem verdade, tem papel fundamental, mas não é condição essencial. É preciso mais que ciência. Antes de tudo é necessário reconhecer-se humano, preceber que devemos nos importar com a vida humana, e rechaçar qualquer ideia que tome o homem como coisa, mero objeto descartável. Na sociedade do consumo, o intelecto parece estar programado para o consumo, mesmo que seja de seres humanos, considerados por essa mesma sociedade como coisas.
Falta humanismo, sensibilidade. Perceber o outro.
Fiz questão de tirar uma foto com algumas crianças do acampamento porque acredito nas crianças, embora tenham pela frente uma dura jornada de des-humanização na escola, no trabalho e na sociedade de modo geral.

Alex Dancini

sábado, 5 de junho de 2010

Exemplo infeliz

Saíram com um discurso sobre continuar tomando coca cola ou passar a tomar tubaína, referindo-se à eleição para presidente da república. Analisar esse enunciado é trabalho para os analistas do discurso, mas uma coisa tenho aqui para meus botões: esse Paulo Henrique Amorin às vezes, "quase sempre", fala cada besteira. Até concordo com a conotação que ele quis dar para tal enunciado, mas que ele poderia utilizar um outro exemplo, ah, isso ele poderia. Mas seria exigir demais de um jornalista que só depois que saiu da Globo, passou a defender e a propagar um discurso progressista. Aliás, o discurso do PHA é o discurso da classe média social democrata, contente com o Lula. Está explicado.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Duas medidas para a liberdade

O individualismo é, sem dúvida, uma das principais características dos indivíduos da sociedade capitalista. A violenta competitividade do livre mercado significa também a desumana competição entre os livres seres humanos da pós Revolução Francesa. Pelo que se pode perceber, a maior liberdade que o indivíduo da sociedade burguesa desempenha é, em primeiro lugar, em relação a si mesmo, quando tem liberdade para, apenas, vender sua força de trabalho ao capital. Ou seja, para entregar-se ao mercado e ser esfolado no “chão da fábrica”. Em segundo lugar, essa liberdade se estabelece na relação de um indivíduo com o outro, aquele que, para a sociedade capitalista, divide o mesmo espaço e, jamais, compartilha-o.

Quando defendemos a idéia de que existem seres humanos livres, numa sociedade pautada na divisão de classes, defendemos, ao que me parece, a existência de indivíduos que vivem em qualquer outro lugar, menos nesse mundo de barbáries, em que a maior delas se revela na simples, mas ao mesmo tempo complexa constatação: a exploração do homem pelo homem.

Para uma sociedade dividida em classes, poderíamos desdobrar o conceito de liberdade que marca a sociedade capitalista e estabelecer, claramente, ao invés de um, dois conceitos de liberdade. Ou seja, duas medidas para a liberdade exercida pelo indivíduo da sociedade burguesa: primeiro, a liberdade para ser explorado, excluído, maltratado pelo capital e pelo Estado. Segundo, a liberdade para explorar, excluir, maltratar e ter o capital e o Estado a sua disposição.

Nesse primeiro conceito de liberdade, o indivíduo tem um campo limitado de mobilidade e sua liberdade consiste, portanto, no trânsito ordenado entre as esferas do que poderíamos chamar de sub-mundo. Por exemplo, o indivíduo que é livre dentro dessas esferas, pode oferecer sua força de trabalho em diferentes locais¹, pode ir a um boteco (escolher dentre muitos), tomar uma pinga de péssima qualidade (escolher dentre muitas marcas) e pode voltar para sua casa , talvez, alugada (pode escolher dentre várias). Mas esse ser humano não “pode”, não tem condições econômicas para ir ao teatro; para tomar uma pinga de melhor qualidade, aquela que é exportada para ser vendida a preços similares aos de uísque no exterior e que é menos prejudicial à saúde; e para morar em uma casa que seja sua² . Já no segundo conceito, o indivíduo exerce sua liberdade num campo ilimitado e pode transitar por lugares exclusivos a sua classe, mas também pode visitar os lugares freqüentados pelos indivíduos da classe que é explorada e que sustenta a liberdade que está vinculada ao que aqui chamamos de segundo conceito. Ele pode ir ao teatro e pode ir ao boteco, pode tomar a pinga de melhor qualidade e também a pior pinga, e pode morar em uma mansão ou apenas alugar uma modesta casa.

Não é difícil perceber que uma sociedade dividida em classes divide também as oportunidades dos seres humanos, e os conceitos e os significados das palavras. Liberdade não tem o mesmo sentido prático para o dono da empresa e para o operário que nela trabalha. O conceito abstrato de liberdade pode ser um só, mas sua realização concreta revela dois ou mais conceitos, dependendo da classe a qual o indivíduo pertence.
¹ Não abordamos aqui a falta de vagas de emprego (o que é mais um empecilho à liberdade) , mas sim a condição de liberdade para a venda da força de trabalho em diferentes lugares.
² Estamos falando de um indivíduo que representa uma coletividade. Portanto, “sua” casa significa que todos tenham casas para morar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O patriotismo dos paranaenses depende da RPC

Os cidadãos paranaenses, de uns dias para cá, têm acrescentado velhas palavras as suas conversas rotineiras. Velhas palavras, velhos discursos. Velhas palavras, novos discursos. As palavras são as mesmas que há pouco comentavam sobre escândalos envolvendo parlamentres dos mais diversos estados brasileiros, reunidos em Brasília para decidirem(?) os rumos do país, os rumos de suas vidas, da vida de seus parentes; e até da vida de pessoas que jamais viram, como é o caso dos "laranjas" paranaenses, pessoas que tiveram seus nomes usados nos atos secretos da Assembléia Legislativa. Enfim, velhas palavras que, de tão recorrentes, tornam-se novas. Velha também é a ideia de pessoas que esperam ÉTICA na política da sociedade burguesa. Uma velha ideia, que de tão recorrente, torna-se nova, e causa tédio todas as vezes que a ouço. Acreditar em ética na política, nessa política que aí temos, é vislumbrar Papai Noel chegando no próximo natal. Nossa condição de cidadãos da sociedade buerguesa é tão deprimente que dependemos de uma organização comercial de comunicação (com interesses dos mais diversos, menos colaborar com "os cidadãos") para mostrarmos nosso patriotismo, sairmos às ruas, PERDERMOS uma aula falando nesse assunto, nos indignando, mais uma vez. Deveríamos nos colocar no lugar dos cidadãos que somos e esperarmos a próxima boa vontade de um jornalista que denuncie mais uma ação ilícita de nossos exímios REPRESENTANTES. Representantes da "democracia".

Alex Dancini

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A pedidos de meus leitores, hehe, e para o desespero de blogueiros que querem me ver longe da internet, estou eu a cá, novamente, a blogar.

Desta vez, apenas para retomar as postagens por aqui, farei apenas uma constatação.
É muito bom ver o constante crescimento da mídia alternativa e independente no Brasil, em especial, os blogs. Jornalistas, e muito bons por sinal, de jornais impressos com pouca circulação nacional, em muitos casos circulam apenas em sindicatos a algumas universidades, hoje escrevem para os quatro cantos do país, por meio de seus blogs.
A hegemonia midiática conservadora da elite branca brasileira ainda tem longa vida, independentemente do governo que venha a (re)assumir o governo em 2011. Mas o incômodo causado por alguns jornalistas blogueiros à grande mídia é notório.

Alex Dancini

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crise do Capital: Quem somos nós nessa história?

http://noticias.r7.com/economia/noticias

O link acima traz uma matéria, revelando que, segundo dados do Banco Mundial, 14 milhões de latino- americanos voltaram  a figurar entre os indivíduos que vivem na considerada "linha da pobreza". O fato que recolocou esse número de latino-americanos (novamente) na pobreza foi a crise estrutural do capital, que teve no ano de 2009 o seu apogeu, ou melhor, teve em 2009 a concretização de um problema que já se arrastava há algum tempo no mercado financeiro e que estourou para a sociedade no final de 2008 e perdurou ao longo de 2009.
Entre expectativas do "fim" do capitalismo por parte de setores da esquerda e a preocupação para manter o atual modo de produção por parte de setores da direita, ficou, ao fim e ao cabo, a miséria, a diminuição de salários e o aumento da degração das condições de trabalho dos operários.
14 milhões de pessoas que "voltaram" a ser pobres representa um importante quadro do que os movimentos sociais, sindicatos e governos ditos progressistas e até revolucionários poderiam ter feito diante dessa crise. O enfrentamento da, até agora, última grande crise do capital, restringiu-se a pequenas greves, algumas passeatas e várias reuniões políticas. Por mais que essas ações signifiquem um contraponto às medidas tomadas pelo mercado, não foram suficientes para, no mínimo, iniciar um diálogo com a classe trabalhadora.
Segundo analistas políticos e sociólogos de diversos países, a América Latina reúne hoje, talvez, os governos mais progressistas do mundo ou que se apresentam por desenvolver políticas revolucionárias em seus países. No entanto, a crise, ao jogar 14 milhões de latino-americanos "novamente" na pobreza, oferece a nós a oportunidade de (re)pensar as práticas revoluvionárias que temos tido. Onde estamos que não próximos a esses 14 milhões? 
Talvez tenhamos pensado uma revolução a paritr dos limites que a própria lógica sistêmica do capital nos possibilita. E aí, continuaremos a apenas discutir salários, lutar por casas populares para acabar com as favelas e montar cooperativas de catadores de papel, torcendo para que sempre haja papel nas ruas e assim os catadores sempre tenham com o que se sustentar e a cooperativa nunca acabe, para que sempre tenha alguém se vangloriando do projeto e se sensibilizando com a pobreza.

Alex Dancini

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Espaço Marx

Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, começam as atividades do Espaço Marx na FECILCAM. Um espaço de debates teóricos e que articula a importância de se adquirir novos conhecimentos e de se fazer novas amizades e manter as já existentes.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um compromisso, uma luta intensa.

Publico abaixo, o texto lido aos participantes da colação de grau dos cursos de Letras, Geografia, Pedagogia, Matemática e Turismo e Meio Ambiente, da FECILCAM.


O dia 04 de fevereiro de 2010 certamente ficará na memória daqueles que por quatro anos ou mais ocuparam uma cadeira do ensino superior da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão, seja qual for o curso. A FECILCAM transformou-se na segunda casa de todos nós. Formamos ali uma segunda família, um círculo de amizades que nos ajudou a enfrentar as mais difíceis jornadas. Quem aqui não se lembra de ter chorado alguma vez pelos corredores da FECILCAM e de repente aparecer um ombro amigo para lhe confortar e lhe oferecer o colo que colhe a gota de uma lágrima. Mas também teve aquele abraço de felicidade, de felicitar o amigo pela aprovação em mais um ano, pela boa nota alcançada no final do bimestre... enfim...pelo sorriso que o outro trazia no rosto.

Assim o tempo passou, a roda da história andou e para traz ficou aquilo que poderíamos ter feito de modo diferente. Não é possível voltar. Ficou também o professor ou a professora que gostaríamos que nos acompanhasse pelas próximas jornadas. Não é possível levá-lo conosco. Ficou para traz aquela pessoa que não a conhecíamos antes de adentrarmos à faculdade e que de tão especial que ela se tornou, gostaríamos de levá-la conosco, mas não é possível. Os levaremos no coração e ficaremos na expectativa de que as circunstâncias da vida não nos afastem mais do que já estamos agora. Caros colegas, autoridades e familiares, por que, muitas vezes,3 não damos a devida importância para as relações sociais no dia-a-dia? Damos a devida importância que as relações entre os seres humanos merece, apenas quando chega o último dia.

O espaço acadêmico proporciona uma convivência intensa e bonita entre indivíduos. Mas também proporciona o contato com algo que para muitos de nós estava muito distante: o conhecimento científico. Como diria Mauro Iasi, numa poesia:
“O conhecimento caminha feito lagarta...primeiro não sabe que sabe...e voraz contenta-se com o cotidiano orvalho...deixado nas folhas vividas das manhãs”. E assim éramos nós, atentos a tudo, mas inseguros se sabíamos ou não o que havíamos estudado e incertos se estávamos realmente aprendendo. Continua Mauro Iasi: “Depois [o conhecimento] pensa que sabe...e se fecha em si mesmo...faz muralhas...cava trincheiras...ergue barricadas...defendendo o que pensa saber...levanta certezas na forma de muro...orgulhando-se de seu casulo”.
E assim éramos nós, certos de que estávamos sempre com a razão e que detínhamos o saber que nos tornava, talvez, diferentes daqueles que ali não estavam, nunca estiveram e, possivelmente, nunca estarão. Triste Ilusão. Mas num certo momento, o conhecimento atinge uma maturidade...e continua Mauro Iasi: “até que maduro...[o conhecimento] explode em vôos...rindo do tempo que imagina saber...ou guardava preso o que sabia...voa alto sua ousadia...reconhecendo o suor dos séculos...no orvalho de cada dia...mesmo o vôo mais belo...descobre um dia não ser eterno...É tempo de acasalar...voltar à terra com seus ovos...à espera de novas e prosaicas lagartas...O conhecimento é assim...ri de si mesmo e de suas certezas...é meta de forma, metamorfose/movimento, fluir do tempo...que tanto cria como arrasa...a nos mostrar que para o vôo é preciso tanto o casulo  como a asa”. (Aula de vôo, Mauro Iasi)
Caros colegas formandos, familiares e autoridades, vivemos na chamada “sociedade do conhecimento”. No entanto, a maioria da população brasileira, para não dizer mundial, está totalmente excluída de freqüentar um importante espaço de produção de novos conhecimentos e de valorização do conhecimento que a humanidade já produziu e que hoje nos é caro. O Ensino superior está de portas abertas para poucos. Fecha-se à classe trabalhadora. Somos exceções porque vivemos numa região extremamente pobre e aqui os filhos dos trabalhadores ainda conseguem um espaço no Ensino Superior Público. E esta realidade se arrasta pela história desta sociedade capitalista individualista e predadora que impregnou a consciência das pessoas com o pensamento meritocrático. A solidariedade deixou de existir nas ações dos seres humanos e passou a existir apenas no mundo das idéias. Assim, esperamos que o mundo seja solidário, mas nós, que somos sujeitos históricos desse mesmo mundo, muitas vezes não somos solidários com os seres humanos que nos circundam.
E a escola está impregnada da falta de solidariedade. Seja entre os professores, seja entre os estudantes. Caros colegas, possivelmente neste ano ou num futuro próximo, estaremos dentro de uma sala de aula, trabalhando como educadores e presenciaremos uma realidade já conhecida por muitos aqui, uma realidade que requer trabalho intenso e a reflexão de que os problemas existentes hoje na escola são históricos. Portanto, caros colegas formandos, não há curso de motivação que dê jeito neste sistema educacional, pois tenta-se tratar aquilo que nos é aparente e se esquece de agir na essência do problema . A educação e a escola que queremos só acontecerá com a luta daqueles que dela fazem parte, a luta que move a roda da história. E para não pararmos no tempo e ficarmos alheios ao movimento histórico do qual fazemos parte é preciso persistir e jamais para de estudar...mesmo que não seja o estudo formal, pois estudo “é a aplicação do espírito para aprender”, aprender, mesmo que seja qualquer coisa, desde que qualquer coisa nos torne seres humanos mais solidários e mais sensíveis à vida.
Para terminar: 
"Os jovens... e eu me vejo como um... nós precisamos estudar e estudar pesado. Nós não devemos dizer que meus olhos ardem ou que eu não gosto de ler, que eu fico cansado, que não há óculos, que eu tenho muita vigia, que as crianças não me deixam dormir... todas essas coisas que as pessoas levantam. Nós precisamos estudar por todos os meios." (Ernesto Guevara de La Serna)

Obrigado!

Alex Dancini

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A direita e a violência

Na última segunda-feira, 01, dia da estréia do reality show da polícia do Estado de São Paulo, o Governador do Estado, o seretário de segurança de São Paulo, o comandante da Polícia Militar e o Delegado-Chefe da polícia civil de São Paulo participaram do programa Super Pop, da REDETV. José Serra, como era de se esperar, elegeu o tráfico de drogas como maior responsável pela violência em São Paulo e no Brasil. Em segundo lugar vem o tráfico de armas, que segundo ele, dá suporte para os bandidos enfrentarem a polícia. Disse ainda, que a polícia de São Paulo recupera todos os meses milhares de armas contrabandeadas, mas as ações policiais não são suficientes para acabar com o tráfico de armas do crime organizado. Muito bem camaradas, lá pelas tantas do programa, a apresentadora Luciana Gimenez perguntou ao Governador porquê a polícia não (re)utiliza as armas apreedidas na luta contra o crime organizado. Segundo ela, a polícia teria mais "poder de fogo". No meio do raciocínio da apresentadora, o delegado-chefe da polícia civil disse a seguinte frase: "issso não compensa. O Estado oferece para  a polícia armas mais potentes e mais modernas que as que são recuperadas".
Camaradas, ou o delegado-chefe quis encher a bola do Estado enquanto instituição responsável pela manutenção da segurança pública ou quis desmentir todos os direitistas desse país que afirmarm que os criminosos possuem armas mais potentes que as da própria polícia.
Na dúvida, prefiro acreditar que a direita brasileira não encontra argumentos sólidos para justificar a luta contra a violência pela via das forças armadas, da polícia. Se poder de fogo fosse a melhor saída contra a violência não existiria mais violência no Brasil e no mundo. Ou será que o exército brasileiro ou a própria polícia não tem muito mais poder de fogo que o próprio crime organizado? Há quanto tempo existe a polícia? Por que, então, não se acaba com a violência? Justamente, porque esse caminho escolhido pelo Estado capitalista de acabar com a violência não é o mlehor e nunca dará certo.
Os capitalistas sabem, mas nunca admitirão, que o problema da violência é estritamente social. O antagonismo de classes produziu a luta pela vida a qualquer preço, e nessa luta, muitas vezes, pouco importa matar ou morrer. E como é uma luta, as partes nela envolvidas procuram encontrar todos os meios para serem mais forte, e assim, sobreviver. O crime se organiza, mas o principal problema não é sua organização, pois essa etapa é apenas uma questão de estratégia e tática. Para acabar com a violência é preciso resolver o problema central da sociedade capitalista: a divisão de classes, adesigualdade social, mais do que isso, a opressão do homem pelo homem.

Alex Dancini

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

José Serra quer ser Americano

O governo do Estado de São Paulo estreou na última segunda-feira, 01, na REDETV, um programa chamado "Operação de Risco". Trata-se de um reality show policial, no qual algumas ações da polícia de São Paulo são filmadas, editadas, é claro, e depois apresentadas no programa que tem duração de uma hora. Algo muito parecido com o que já foi feito no Estados Unidos há mais de 20 anos. Uma sacada de um governante que não sabe mais o que fazer para tentar aumentar seus pontos nas pesquisas eleitorais na corrida presidencial deste ano. A política socialdemocrata acrescida de uma forte dose de políticas neoliberais tem atingido o extremo da tolerância de muita gente espalhada por esse Brasil. Não restando outra saída, os políticos neoliberais (José Serra é um deles) apelam para alternativas que beiram a burrice. A ideia do governo do Estado de São Paulo é estúpida. Tenta criar no imaginário social a ideia de uma polícia eficaz, combatente, muito bem armada; uma ideia de políciais guerreiros, heróis. A direita ainda acredita que mais policiais é igual a mais segurança para a população. Caros camaradas, quanto mais policiais se tem mais violência se produz. Os governos trabalham com estatísticas, assim, quando aumenta o contingente de policiais é sinal de que a coisa vai mal.
Apesar de a ideia de José Serra ser estúpida, devo concordar que ela vai levar muitos paulistanos a terem orgulho da polícia (militar, civil e rodoviária) de São Paulo, afinal, o programa passa por uma rigirosa edição e só vai para o ar as ações que deram certo. O apoio camarada aos trabalhadores da polícia de São paulo, que ganham pouco, mas trabalham.