Rio de Janeiro, 24 de novembro de 2010.
Ao Comitê Central do
Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Dirijo-me à direção do PCdoB para externar minha estranheza e minha indignação com imagem, que está circulando na Internet, da capa de uma publicação intitulada “Gibi do Programa Socialista do PCdoB – O ideal e o caminho”, assinado por Bernardo Joffily.
Essa publicação apresenta imagens dos meus pais, Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, ladeando a figura de Getúlio Vargas. Também estão colocadas junto a Vargas lideranças revolucionárias como Carlos Lamarca e João Amazonas. Não posso aceitar que sejam divulgadas, sem nenhuma razão para tal, imagens dos meus pais, dois revolucionários comunistas, junto com o ditador sanguinário Getúlio Vargas, que manteve Luiz Carlos Prestes preso durante nove anos e entregou Olga Benario Prestes à Alemanha nazista para ser assassinada numa câmara de gás.
Espero, portanto, que a direção do PcdoB torne público pronunciamento a respeito e retire de circulação tal publicação, cujo teor contribuirá para a distorção da história do Brasil e, em particular, das lutas revolucionárias em nosso país.
Atenciosamente,
Anita Leocádia Prestes
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Morre aos 89 anos, no Paraná, um líder comunista
Faleceu na manhã desta quinta-feira (18) o dirigente comunista e artista plástico Espedito Rocha. Ele estava internado havia seis dias no Centro Médico Nossa Saúde, em tratamento de um câncer no pulmão, diagnosticado em meados de 2009. Espedito Oliveira da Rocha nasceu em 1º de janeiro de 1921, em Santa Clara, então distrito do município de Buíque, hoje Tupanatinga, em Pernambuco.
Espedito iniciou sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1938, ainda em Pernambuco, e chegou ao Paraná no início dos anos 50, onde trabalhou na colonização do Norte do Estado. Posteriormente mudou-se para Curitiba para trabalhar na construção do Centro Cívico e iniciar a atividade sindical, onde teve forte atuação política.
Foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Curitiba e também foi eleito primeiro suplente de vereador em Curitiba pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), já que naquela época o PCB era clandestino.
Com o golpe militar de 1964, Espedito teve seus direitos políticos cassados. Só não foi preso porque conseguiu fugir e passou a utilizar uma nova identidade. Permaneceu na clandestinidade e militou como dirigente nacional do PCB, na condição de membro do Comitê Central, durante todo o regime militar.
Usando o nome de Tibúrcio Melo, foi preso no Mato Grosso, onde administrava uma fazenda do PCB, que era utilizada para fuga de resistentes da ditadura e também para obtenção de recursos para o partido. Espedito foi levado para o Doi-Codi em São Paulo, onde permaneceu preso e foi duramente torturado. Foi levado de volta pela polícia política para o Mato Grosso pesando 38 quilos. Com a ajuda de amigos, foi internado e recuperou-se, fugindo em seguida para São Paulo, onde retomou à militância com o nome de Tadeu Melo, que utilizou até ser anistiado em 1979.
Retornou para Curitiba onde re-fundou o PCB, permanecendo seu presidente até meados dos anos 90. No início dos anos 80 comandou o apoio do PCB à candidatura de José Richa ao governo do Estado pelo PMDB. Quando o PCB mudou de nome para PPS, Espedito Rocha e outros comunistas conhecidos, como Oscar Niemeyer e Ivan Pinheiro, fundaram novamente o PCB, ao qual ficou filiado até sua morte.
Carreira artística
Na sua fuga para São Paulo, em 1976, Espedito utilizou as horas de esconderijo para retomar o talento antigo de esculpir na madeira. A partir daí, junto à militância política, Espedito iniciou a carreira de artista plástico, que desempenhou até 15 dias atrás, quando a doença ainda não havia se agravado. Realizou exposições, coletivas e individuais, em diversos locais do Brasil e tem peças no acervo permanente de vários museus do país.
Sobre o artista, Pietro Maria Bardi, já em 1980, descreveu: "Espedito Oliveira da Rocha é um desses homens que desafiam as injunções próprias de quem é ligado ao mundo do trabalho. Na cartilha mais difícil, aprendeu a vida por ela própria. Transformou em poema de aroeira, peroba e cedro tudo o que viu e viveu".
Espedito deixa os filhos Rosa Maria da Rocha, Caetano Oliveira da Rocha, Carlos Rogério da Rocha, Airam de Oliveira da Rocha, Luiz Carlos da Rocha, Gabriela Rocha, Mariana Rocha e Manoel Caetano Ferreira Filho, além de netos e bisnetos. Seu corpo será velado na Assembleia Legislativa do Paraná, a partir das 14 horas, e cremado amanhã às 9 horas.
Espedito iniciou sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1938, ainda em Pernambuco, e chegou ao Paraná no início dos anos 50, onde trabalhou na colonização do Norte do Estado. Posteriormente mudou-se para Curitiba para trabalhar na construção do Centro Cívico e iniciar a atividade sindical, onde teve forte atuação política.
Foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Curitiba e também foi eleito primeiro suplente de vereador em Curitiba pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), já que naquela época o PCB era clandestino.
Com o golpe militar de 1964, Espedito teve seus direitos políticos cassados. Só não foi preso porque conseguiu fugir e passou a utilizar uma nova identidade. Permaneceu na clandestinidade e militou como dirigente nacional do PCB, na condição de membro do Comitê Central, durante todo o regime militar.
Usando o nome de Tibúrcio Melo, foi preso no Mato Grosso, onde administrava uma fazenda do PCB, que era utilizada para fuga de resistentes da ditadura e também para obtenção de recursos para o partido. Espedito foi levado para o Doi-Codi em São Paulo, onde permaneceu preso e foi duramente torturado. Foi levado de volta pela polícia política para o Mato Grosso pesando 38 quilos. Com a ajuda de amigos, foi internado e recuperou-se, fugindo em seguida para São Paulo, onde retomou à militância com o nome de Tadeu Melo, que utilizou até ser anistiado em 1979.
Retornou para Curitiba onde re-fundou o PCB, permanecendo seu presidente até meados dos anos 90. No início dos anos 80 comandou o apoio do PCB à candidatura de José Richa ao governo do Estado pelo PMDB. Quando o PCB mudou de nome para PPS, Espedito Rocha e outros comunistas conhecidos, como Oscar Niemeyer e Ivan Pinheiro, fundaram novamente o PCB, ao qual ficou filiado até sua morte.
Carreira artística
Na sua fuga para São Paulo, em 1976, Espedito utilizou as horas de esconderijo para retomar o talento antigo de esculpir na madeira. A partir daí, junto à militância política, Espedito iniciou a carreira de artista plástico, que desempenhou até 15 dias atrás, quando a doença ainda não havia se agravado. Realizou exposições, coletivas e individuais, em diversos locais do Brasil e tem peças no acervo permanente de vários museus do país.
Sobre o artista, Pietro Maria Bardi, já em 1980, descreveu: "Espedito Oliveira da Rocha é um desses homens que desafiam as injunções próprias de quem é ligado ao mundo do trabalho. Na cartilha mais difícil, aprendeu a vida por ela própria. Transformou em poema de aroeira, peroba e cedro tudo o que viu e viveu".
Espedito deixa os filhos Rosa Maria da Rocha, Caetano Oliveira da Rocha, Carlos Rogério da Rocha, Airam de Oliveira da Rocha, Luiz Carlos da Rocha, Gabriela Rocha, Mariana Rocha e Manoel Caetano Ferreira Filho, além de netos e bisnetos. Seu corpo será velado na Assembleia Legislativa do Paraná, a partir das 14 horas, e cremado amanhã às 9 horas.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
COMUNISTAS RETORNAM AO SEU PARTIDO
Em uma cerimônia simples e descontraída, foram recebidos, na sede do Comitê Central do PCB, no Rio de Janeiro, o advogado Celso Soares e o professor universitário Ronaldo Coutinho, militantes comunistas com muita tradição de luta, que retornam ao Partido. Celso e Ronaldo são alguns daqueles inúmeros militantes que, sem deixar de serem militantes comunistas, deixaram o PCB na época do liquidacionismo e da conciliação de classe da maioria do CC, nos anos 80.Ivan Pinheiro e Eduardo Serra (do Comitê Central) e Paulo Oliveira, secretário de Organização do Comitê Regional do Rio de Janerio, saudaram o reingresso dos dois camaradas, o engajamento de ambos nas causas populares, no combate à ditadura e na defesa do Socialismo, ressaltando também a contribuição importante que trazem ao PCB na construção da teoria da revolução brasileira e na formulação política em geral. Muitos dirigentes e militantes presentes também se manifestaram, e foram lidas diversas mensagens de saudações vindas de vários estados.
Crédito: PCB
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A História faz justiça a Marighella
Decorridos 41 anos - completados hoje - do covarde assassinato de Carlos Marighella, cresce no país o respeito por sua coragem, determinação e militância e o sentimento de que seu nome já se situa, tranquilamente e como medida de justiça, entre os patriotas que mais lutaram pela melhoria de vida, ascensão social, a liberdade e o respeito a todos os direitos do nosso povo.
Marighella - ou Carlos como o chamavam os mais próximos, os familiares e os amigos - morreu em uma emboscada montada pelas forças de repressão da ditadura militar, à frente o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo. Ele foi inequivocamente um dos quadros políticos mais atuantes de nossa História. Só a reação, e com o assassinato, foi capaz de conter a chama que o animou sempre, a vida inteira, em sua luta pela liberdade e justiça para o nosso povo.
Defensor das causas populares até o limite de pagar mesmo com a vida, como lhe aconteceu, Marighella foi um batalhador por reformas de base como as da educação e agrária e pela soberania nacional. Foi o que o motivou a filiar-se aos 18 anos ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Um combatente em todas as frentes de resistência
A partir daí, lutou em todas as frentes: combateu a ditadura Vargas e a repressão por ela desencadeada; foi deputado federal até a proscrição do PCB (1947); enfrentou a partir de então duas décadas de clandestinidade; resistiu e enfrentou as forças da nova ditadura, a militar, instaurada em 1964; rompeu com o velho Partidão, fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN) e bateu de frente, o resto dos seus dias, com o regime de exceção instaurado no país.
Sua coragem, luta, ensinamentos e sobretudo seu amor pela liberdade e pela justiça serão sempre um exemplo para todos os brasileiros que, quanto mais o tempo passa, mais lhe são reconhecidos e fazem justiça por ter dedicado sua vida à transformação da realidade dos excluídos e a dar voz aos anseios de liberdade e justiça do nosso povo.
Independente do julgamento que lhe façam os ainda sobreviventes da reação, o que prevalece é o reconhecimento de que Marighella hoje já é História e que esta lhe reserva um lugar entre os grandes da luta pelo progresso e melhorias de nosso país.
Fonte: http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&&id=10554
sábado, 30 de outubro de 2010
CHÁVEZ EXPROPRIA EMPRESA DOS EUA QUE DESRESPEITA MEIO AMBIENTE
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na noite de segunda-feira (25) a expropriação da filial da fabricante americana de embalagens de vidro Owens Illinois, que segundo o governo não respeita o meio ambiente e explora os trabalhadores.
A Owens Illinois é líder mundial na fabricação de embalagens de vidro, com 22.000 funcionários e presença em 21 países.Chávez também aproveitou a oportunidade para acenar com a nacionalização de bancos privados que não colaborarem no desenvolvimento do país com a concessão de créditos.
"Já está pronta a expropriação, Owens Illinois, exproprie-se", disse Chávez em um ato de governo transmitido em rede nacional de rádio e televisão. O presidente acrescentou que trata-se de “uma empresa de capital americano, que tem anos explorando os trabalhadores, destruindo o ambiente no estado Trujillo (oeste) e levando o dinheiro dos venezuelanos".
A empresa americana está presente há 52 anos na Venezuela, onde tem duas fábricas, que produzem embalagens de vidro e garrafas para cervejas e bebidas, além de recipientes para alimentos.
A empresa americana está presente há 52 anos na Venezuela, onde tem duas fábricas, que produzem embalagens de vidro e garrafas para cervejas e bebidas, além de recipientes para alimentos.
Lista
Chávez destacou ainda que o governo tem uma lista com mais nomes de empresas para expropriação, mas não revelou os nomes. E alertou os ricos banqueiros. "Banco que não quiser colaborar no desenvolvimento nacional deve ser estatizado sem atraso de nenhum tipo. Os bancos privados são obrigados a assumir isto. Não há volta atrás".
Ele citou como exemplo a necessidade de que os bancos concedam créditos para a habitação, uma das principais necessidades dos venezuelanos no momento.
"Não podemos fazer nenhuma concessão aos que não querem contribuir podendo fazê-lo (...), porque nós, sozinhos, não podemos fazer tudo", completou Chávez.
Desde novembro de 2009, mais de 10 bancos, todos de pequeno e médio porte, sofreram intervenção e posteriormente foram liquidados ou nacionalizados por Caracas. O objetivo é "garantir o saneamento do sistema bancário".
Ele citou como exemplo a necessidade de que os bancos concedam créditos para a habitação, uma das principais necessidades dos venezuelanos no momento.
"Não podemos fazer nenhuma concessão aos que não querem contribuir podendo fazê-lo (...), porque nós, sozinhos, não podemos fazer tudo", completou Chávez.
Desde novembro de 2009, mais de 10 bancos, todos de pequeno e médio porte, sofreram intervenção e posteriormente foram liquidados ou nacionalizados por Caracas. O objetivo é "garantir o saneamento do sistema bancário".
Estado forte
O papel do Estado no setor bancário do país ganhou força nos últimos meses, e atualmente concentra mais de 25% do sistema financeiro nacional, principalmente em função da nacionalização do Banco da Venezuela, concluída em 2009.
Nos último 30 dias, Caracas nacionalizou a produtora de lubrificantes Venoco, a empresa de fertilizantes Fertinitro e a Agroisleña, uma empresa com capital espanhol dedicada à produção de químicos agropecuários e suporte tecnológico à agricultura.
Desde 2007, a Venezuela nacionalizou mais de 340 empresas em setores estratégicos como energia elétrica, bancos, cimentos, aço, petróleo e alimentos. Além disso, três milhões de hectares de terras consideradas improdutivas foram resgatadas para a produção, nas palavras do governo, desde a chegada de Chávez ao poder. O reforço do papel do Estado na economia, em contraposição às políticas de “Estado mínimo” dos governos neoliberais, é um dos caminhos da revolução bolivariana na direção do socialismo do século XXI.
Nos último 30 dias, Caracas nacionalizou a produtora de lubrificantes Venoco, a empresa de fertilizantes Fertinitro e a Agroisleña, uma empresa com capital espanhol dedicada à produção de químicos agropecuários e suporte tecnológico à agricultura.
Desde 2007, a Venezuela nacionalizou mais de 340 empresas em setores estratégicos como energia elétrica, bancos, cimentos, aço, petróleo e alimentos. Além disso, três milhões de hectares de terras consideradas improdutivas foram resgatadas para a produção, nas palavras do governo, desde a chegada de Chávez ao poder. O reforço do papel do Estado na economia, em contraposição às políticas de “Estado mínimo” dos governos neoliberais, é um dos caminhos da revolução bolivariana na direção do socialismo do século XXI.
Fonte: http://pcb.org.br/portal/
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Nota política do PCB para o segundo turno
(Nota Política do PCB)
"DERROTAR SERRA NAS URNAS E DEPOIS DILMA NAS RUAS"
"DERROTAR SERRA NAS URNAS E DEPOIS DILMA NAS RUAS"
O PCB apresentou, nas eleições de 2010, através da candidatura de Ivan Pinheiro, uma alternativa socialista para o Brasil que rompesse com o consenso burguês, que determina os limites da sociedade capitalista como intransponíveis. As candidaturas do PCO, do PSOL e do PSTU também cumpriram importante papel neste contraponto.
Hoje, mais do que nunca, torna-se necessário que as forças socialistas busquem constituir uma alternativa real de poder para os trabalhadores, capaz de enfrentar os grandes problemas causados pelo capitalismo e responder às reais necessidades e interesses da maioria da população brasileira.
Estamos convencidos de que não serão resolvidos com mais capitalismo os problemas e as carências que os trabalhadores enfrentam, no acesso à terra e a outros direitos essenciais à vida como emprego, educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança, cultura e lazer. Pelo contrário, estes problemas se agravam pelo próprio desenvolvimento capitalista, que mercantiliza a vida e se funda na exploração do trabalho. Por isso, nossa clara defesa em prol de uma alternativa socialista.
Mais uma vez, a burguesia conseguiu transformar o segundo turno numa disputa no campo da ordem, através do poder econômico e da exclusão política e midiática das candidaturas socialistas, reduzindo as alternativas a dois estilos de conduzir a gestão do capitalismo no Brasil, um atrelando as demandas populares ao crescimento da economia privada com mais ênfase no mercado; outro, nos mecanismos de regulação estatal a serviço deste mesmo mercado.
Neste sentido, o PCB não participará da campanha de nenhum dos candidatos neste segundo turno e se manterá na oposição, qualquer que seja o resultado do pleito. Continuaremos defendendo a necessidade de construirmos uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, permanente, para além das eleições, que conquiste a necessária autonomia e independência de classe dos trabalhadores para intervirem com voz própria na conjuntura política e não dublados por supostos representantes que lhes impõem um projeto político que não é seu.
O grande capital monopolista, em todos os seus setores - industrial, comercial, bancário, serviços, agronegócio e outros - dividiu seu apoio entre estas duas candidaturas. Entretanto, a direita política, fortalecida e confiante, até pela opção do atual governo em não combatê-la e com ela conciliar durante todo o mandato, se sente forte o suficiente para buscar uma alternativa de governo diretamente ligado às fileiras de seus fiéis e tradicionais vassalos. Estrategicamente, a direita raciocina também do ponto de vista da América Latina, esperando ter papel decisivo na tentativa de neutralizar o crescimento das experiências populares e anti-imperialistas, materializadas especialmente nos governos da Venezuela, da Bolívia e, principalmente, de Cuba socialista.
As candidaturas de Serra e de Dilma, embora restritas ao campo da ordem burguesa, diferem quanto aos meios e formas de implantação de seus projetos, assim como se inserem de maneira diferente no sistema de dominação imperialista. Isto leva a um maior ou menor espaço de autonomia e um maior ou menor campo de ação e manobra para lidar com experiências de mudanças em curso na América Latina e outros temas mundiais. Ou seja, os dois projetos divergem na forma de inserir o capitalismo brasileiro no cenário mundial.
Da mesma forma, as estratégias de neutralização dos movimentos populares e sindicais, que interessa aos dois projetos em disputa, diferem quanto à ênfase na cooptação política e financeira ou na repressão e criminalização.
Outra diferença é a questão da privatização. Embora o governo Lula não tenha adotado qualquer medida para reestatizar as empresas privatizadas no governo FHC, tenha implantado as parcerias público-privadas e mantido os leilões do nosso petróleo, um governo demotucano fará de tudo para privatizar a Petrobrás e entregar o pré-sal para as multinacionais.
Para o PCB, estas diferenças não são suficientes qualitativamente para que possamos empenhar nosso apoio ao governo que se seguirá, da mesma forma que não apoiamos o governo atual e o governo anterior. A candidatura Dilma move-se numa trajetória conservadora, muito mais preocupada em conciliar com o atraso e consolidar seus apoios no campo burguês do que em promover qualquer alteração de rumo favorável às demandas dos trabalhadores e dos movimentos populares. Contra ela, apesar disso, a direita se move animada pela possibilidade de vitória no segundo turno, agitando bandeiras retrógradas, acenando para uma maior submissão aos interesses dos EUA e ameaçando criminalizar ainda mais as lutas sociais.
O principal responsável por este quadro é o próprio governo petista que, por oito anos, não tomou medida alguma para diminuir o poderio da direita na acumulação de capital e não deu qualquer passo no sentido da democratização dos meios de comunicação, nem de uma reforma política que permitisse uma alteração qualitativa da democracia brasileira em favor do poder de pressão da população e da classe trabalhadora organizada, optando pelas benesses das regras do viciado jogo político eleitoral e o peso das máquinas institucionais que dele derivam.
Considerando essas diferenças no campo do capital e os cenários possíveis de desenvolvimento da luta de classes - mas com a firme decisão de nos mantermos na oposição a qualquer governo que saia deste segundo turno - o PCB orienta seus militantes e amigos ao voto contra Serra.
Com o possível agravamento da crise do capitalismo, podem aumentar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a repressão aos movimentos populares. A resistência dos trabalhadores e o seu avanço em novas conquistas dependerão muito mais de sua disposição de luta e de sua organização e não de quem estiver exercendo a Presidência da República.
Chega de ilusão: o Brasil só muda com revolução!
PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
COMITÊ CENTRAL
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
ONU aprova suspensão do embargo norte-americano a Cuba
Documento foi aprovado com 187 votos a favor, 2 contra e 3 abstenções
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nessa terça-feira a suspensão do embargo norte-americano imposto a Cuba, em vigor desde 1962. Essa é a 19ª vez consecutiva em que o órgão coloca em votação a questão do bloqueio promovido pelos EUA contra a ilha caribenha, em que o colegiado de todas as nações que compõem a ONU aprovam o fim do bloqueio financeiro e comercial ao país.
O documento que decide pelo fim imediato do bloqueio a Cuba foi aprovado com 187 votos a favor, 2 contra (Estados Unidos e Israel) e 3 abstenções (Ilhas Marshall, República de Palau e Estados Federados da Micronésia - satélites dos EUA, mas que ainda assim não repetiram o voto contra, se abstendo no pleito).
Estimativas oficiais do governo cubano indicam que o embargo imposto há 48 anos causa prejuízos que somavam cerca de US$ 751,3 bilhões até dezembro de 2009. O bloqueio envolve restrições econômicas, financeiras, políticas e diplomáticas; sobrevivendo às custas de interesses das máfias e cartéis reacionários e fascistas, que empregam além do embargo citado, também táticas sujas de desestabilização e terrorismo para derrubar o Estado Cubano.
Para as autoridades cubanas e a comunidade internacional, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não demonstra boa vontade para recuar na adoção do embargo. Assim como parte de suas promessas de campanha, como o fim das guerras, Obama se "esqueceu" de levantar as asfixiantes restrições que partem do seu governo contra a população cubana, e oferece a Cuba a mesma mão que Bush e seus antecessores: um punho cerrado segurando um punhal.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Bolívia, de Evo Morales, reduz idade para aposentadoria
Enquanto na Europa tentam aumentar a idade de reforma e reduzir as pensões, na Bolívia o governo de Evo Morales lança um projecto de lei que reduz a idade da jubilação de 65 para 58 anos para os homens e de 62 para 56 anos para as mulheres.
"Esta mudança é necessária. Nosso povo foi durante anos agravado. O tipo de trabalho que a maioria da população realiza é muito pesado. A diminuição da idade de reforma para os mineiros deve ser maior, para os 56 anos, e para os que vão ao fundo das minas deve diminuir para os 51 anos", afirmou o presidente Evo Morales.
O vice-presidente, Álvaro García Linera, ressaltou qu o projeto rompe com o processo neoliberal engendrado pela lei de 1996.(...)
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O drama continua
Foram encontrados os últimos corpos dos quatro mineiros soterrados desde a semana passada em uma mina no Equador. O drama dos mineradores na América Latina continua. O capitalismo continua fazendo suas vítimas por aqui e nos quatro cantos do mundo. Cadê a solidariedade dos presidentes que ligaram para Sebastián Piñera, presidente do Chile, durante o resgate dos 33 mineiros? Se estivessem realmente preocupados com a situação dos mineiros da América Latina não deveriam organizar uma discussão sobre a criação de uma nova legislação da exploração de minérios no subsolo?
Onde está Obama, Lula,Sarkozy e Piñera?A esposa de um dos mineiros encontrado morto desaba ao receber a notícia das equipes de resgate.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
El Necio - Silvio Rodriguez
No início da década de 1990, as grandes gravadoras norte americanas oferecem uma fortuna para Silvio Rodriguez deixar Cuba e se tornar, segundo essas gravadoras, um "ícone da música mundial". Sílvio foi enfático em ficar ao lado da Revolução e não teve medo de dizer: "me vienem a convidar a tanta mierda". Para se tronar mais prazeroso, abaixo publico a letra desta canção revolucionária.
El Necio
(Silvio Rodriguez)
Para no hacer de mi ícono pedazos,
para salvarme entre únicos e impares,
para cederme un lugar en su Parnaso,
para darme un rinconcito en sus altares.
me vienen a convidar a arrepentirme,
me vienen a convidar a que no pierda,
mi vienen a convidar a indefinirme,
me vienen a convidar a tanta mierda.
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
Dicen que me arrastrarán po sobre rocas
cuando la Revolución se venga abajo,
que machacarán mis manos y mi boca,
que me arrancarán los ojos y el badajo.
Será que la necedad parió conmigo,
la necedad de lo que hoy result anecio:
la necedad de asumir al enemigo,
la necedad de vivir sin tener precio.
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
para salvarme entre únicos e impares,
para cederme un lugar en su Parnaso,
para darme un rinconcito en sus altares.
me vienen a convidar a arrepentirme,
me vienen a convidar a que no pierda,
mi vienen a convidar a indefinirme,
me vienen a convidar a tanta mierda.
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
Dicen que me arrastrarán po sobre rocas
cuando la Revolución se venga abajo,
que machacarán mis manos y mi boca,
que me arrancarán los ojos y el badajo.
Será que la necedad parió conmigo,
la necedad de lo que hoy result anecio:
la necedad de asumir al enemigo,
la necedad de vivir sin tener precio.
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
domingo, 17 de outubro de 2010
As minas do Chile
Na região de Antofagasta, no Chile, das 300 minas hoje exploradas 277 estão funcionando sem normas de segurança. Essa neglgência ocorre com a conivência do presidente Sebastián Piñera, o novo Pop Star latino americano.
Piñera assumiu o legado da extrema direita deixado por Pinochet e entrega o Chile e todas as suas riquezas naturais aos interesses internacionais.
O presidente socialista Salvador Allende, que governou o Chile até o início da década de 1970, depois foi "golpeado" por Pinochet, em 11 de setembro de 1973, nacionalizou toda a mineração chilena e dizia que o minério era o "salário do Chile". Pinochet, e todos os governos que o sucederam fizeram totalmente o contrário, e praticaram a política repressiva aos trabalhadores e sindicatos.
No Chile, é perigoso fazer greve. Os sindicatos dos mineradores já foram fortes, mas sofreram com os anos da ditadura e hoje tentam se reorganizar. Um mineiro recebe hoje, quando tem sorte, o equivalente a pouco mais de três salários mínimos (262 euros por mês).
As famílais dos mineiros resgatados não podem falar, os minneiros não podem falar...300 mineiros que trabalhavam numa outra mina gritavam após o resgate dos 33: "Piñera, somos 300 aqui".
.
sábado, 16 de outubro de 2010
Os mineiros da América Latina
Ontem,15, um mineiro chileno morreu soterrado, após o desabamento de uma mina.
Hoje, 16, três mineiros morreram, também soterrados. Eram quatro mineiros que trabalhavam no momento do desabamento, um conseguiu escapar ao soterramento.
A saga dos mineiros continua mesmo depois do ocorrido no Chile. Uma tragédia que o capitalismo transformou em sensacionalismo e tirou praticamente toda a possibilidade de se fazer uma ampla discussão sobre as precárias condições de trabalho dos mineiros em todo o mundo.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Os operários das minas
Se estivesse vivo, o que diria Che sobre o ocorrido com os mineiros chilenos?
O grito contra a exploração dos trabalhadores nas minas da América Latina e de todo o mundo) já foi dado há muito tempo. Che foi um dos quenão se calou diante de tanta exploração, insegurança e precariedade, ao se deparar pela primiera vez com trabalhadores que quase sem rumo, rumavam em busca de um subemprego numa mina qualquer. Sem ter outra opção, esses operários trabalham em condições subumanas e com alto risco.
A história dos 33 mineiros que ficaram soterrados no deserto do Atacama, no Chile, comove qualquer pessoa. Mas está longe de ser uma novidade.
Quantos trabalhadores foram soterrados nas milhares de minas do continente sul americano (e do mundo) para oferecer minério com o mais baixo custo possível, e assim, possibilitar o desenvolvimento e a acumulação de riqueza dos países desenvolvidos da Europa e América do Norte?
Ninguém sabe dizer. As mineradoras nem estão preocupadas com isso.
No capitalismo é assim: as forças produtivas se desenvolvem a um nível elevado, mas esse desenvolvimento é utilizado em favor da cada vez maior concentração de riquezas. E nessa história, quem fica em segundo plano é o operário.
Por isso, não se incomodar com o capitalismo é ser desumano. Não buscar sua superação é estar contra o ser humano.
Assinar:
Postagens (Atom)





