sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Complexo do Alemão: A manipulação da “vitoriosa guerra contra o tráfico”

(Nota Política do PCB)


Estimulada por uma mídia burguesa, aliada ao governo do Estado do Rio de Janeiro e a sua política de Segurança Pública, a população brasileira tem a falsa impressão de que a região metropolitana do Rio de Janeiro está prestes a viver novos dias, com uma melhora qualitativa da sensação de segurança.

Foi a busca por tal sensação de segurança que levou a grande maioria dos trabalhadores, além da totalidade dos setores médios e da elite, a parar frente à TV nos últimos dias para assistir a um espetáculo midiático, comparável à invasão do Iraque pelo imperialismo norte-americano. Era como um filme de mocinhos e bandidos, em que a grande maioria torcia avidamente para que as polícias militar e civil e ainda as Forças Armadas, simplesmente eliminassem a vida de varejistas do tráfico de drogas – mesmo que, a custo disso, morressem inocentes, e bairros populares fossem transformados em verdadeiras praças de guerra.

Os últimos acontecimentos vêm confirmar o caráter de ocupação de uma zona de guerra, onde os civis de solo ocupado, pouco, ou nenhum direito tem. Multiplicam-se denuncias ora formais, ora pelos sussurros escondidos pelo medo de moradores que tiveram dinheiros roubados pela policia, ameaças de agressão, desaparecimentos sem explicação nenhuma dos órgãos oficiais. Cenas que parecem reflexos de um Haiti ocupado pela ONU e pelo Brasil, onde uma forte criminalização dos movimentos sociais, e da própria população ocupada, que tem até o direito de ir e vir questionado pelas “autoridades”.

As denuncias ganham espaços de rodapé nos noticiários, que continuam colocando como manchete as glorias de uma policia que ganhou status de “nada consta” em sua corrida folha de crimes e corrupções, de conivência e até favorecimentos a facções criminosas e grupos de milícias.

Num quadro onde o Secretário de Segurança do Estado, Beltrame, cercado por um forte aparato policial e militar, e todas as pompas da mídia visita a área, como legitimo representante de uma força de ocupação, como se tratasse de um território inimigo. Apresentando mais uma vez para a população local, a única face do estado para os trabalhadores, a face da repressão.

Ao PCB preocupa esse fato: estimula-se, entre a população, uma visão fascistóide de mundo, como se “limpezas finais” fossem soluções para qualquer conflito. A História já demonstrou, através de vários exemplos, que tal pensamento deve ser firmemente combatido. Após as últimas ações, ocorridas nesse final de semana no complexo do Alemão, impõem-se algumas afirmações e questionamentos. Crer que os acontecimentos da última semana garantirão a segurança desejada pela população é equivocado; transmitir isso para população - como vêm fazendo os meios de comunicação – é propaganda mentirosa.

Há décadas o tecido social no Rio de Janeiro vem se deteriorando por culpa de interesses capitalistas tanto na organização do território quanto na oferta de serviços e equipamentos públicos para a maioria da população.

Tal fato tende a se agravar: o custo de vida na região metropolitana do Rio cresce exponencialmente desde que a cidade foi escolhida sede das Olimpíadas de 2016, e o exemplo mais nítido disso está no mercado imobiliário. Ter um teto sob o qual morar, no Rio de Janeiro, está cada vez mais caro. Para piorar a situação, a população desta região metropolitana vive com os maiores custos de alimentação e transporte público do país.

Ao mesmo tempo, as políticas de emprego, geração e transferência de renda, educação, saúde, além da oferta de equipamentos esportivos e sócio-culturais são cada vez mais vilipendiadas pela lógica capitalista de ausência e desresponsabilização do Estado.

Não à toa as Oscips no setor de atendimento médico e o desempenho pífio dos estudantes do Estado nos exames do Ministério da Educação, além de fatores de menor repercussão midiática, como a concentração de cinemas e teatros nas áreas mais abastadas da cidade, bem como a ausência de locais para o lazer. Concentram-se nessas áreas do Rio de Janeiro os piores indicadores sociais, os maiores índices de gravidez adolescente, a maior incidência de subemprego, as maiores deficiências de saneamento básico, etc.

Tais fatos foram jogados para debaixo do tapete nas últimas eleições, numa aliança explícita entre os grandes grupos de mídia e o atual grupo político que comanda o Rio de Janeiro. Ao contrário de sua postura quase sempre denuncista e falsamente moralizante, a imprensa burguesa chegou ao ponto de escamotear a existência de trabalho escravo e os claros indícios de enriquecimento ilícito, materializado entre outras coisas em mansões em Angra dos Reis (RJ); fatores que atingiriam politicamente personagens fundamentais desse agrupamento político.

No meio de tudo isso está a atual política de Segurança Pública do Rio de Janeiro. É ela a fiadora de manchetes mentirosas e da ação hegemônica em criminalizar a pobreza entre a população. É a atual política de segurança pública, materializada fundamentalmente nas UPPs, que poderá viabilizar projetos políticos maiores para alguns e o lucro crescente para setores fundamentais da burguesia brasileira e carioca: com a copa do Mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016, é preciso garantir uma sensação de segurança mínima para expandir a especulação imobiliária, os serviços de telecomunicações/mídia e os grandes investimentos em infra-estrutura e transporte urbanos, num ciclo propício à corrupção há muito conhecido.

Cabe assim o registro que se segue, publicado pela revista Piauí: as UPPs são um dos maiores “cases” de marketing dos últimos anos. De acordo com a publicação, os “serviços de comunicação e divulgação” da secretaria de segurança do Rio saltaram de R$ 66,9 milhões para R$ 91,7 milhões. Além disso, o secretário José Beltrame já promoveu 138 almoços com “formadores de opinião” desde a posse, e deu 223 entrevistas, sendo que 39 para a imprensa estrangeira, sempre com as UPPs como jóias da pauta.

Assim, é preciso dizer claramente: a atual política de Segurança Pública do Rio de Janeiro é uma farsa, que se presta à expansão dos investimentos privados e a garantia de lucros futuros para grandes grupos do capitalismo internacional e brasileiro.

O controle do território pelo estado – principal ponto da atual política de Segurança Pública e lógica que justifica as UPPS – só vale para algumas localidades, próximas às áreas mais nobres da capital, que servirão como base territorial para a expansão dos investimentos privados e públicos.

Para corroborar nosso ponto de vista, e desmascarar a falácia do atual governador de que todas as comunidades serão “libertadas”, está a mais pura e simples matemática: existem cerca de 1.020 favelas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Hoje as UPPs estão em 14 delas, com um contingente de quase quatro mil policiais (10% do efetivo da PM). Não há orçamento neoliberal que garanta pessoal suficiente para ocupar as mais de 1.000 favelas sem UPPs.

Por outro lado, e estranhamente, todas as UPPs foram instaladas em locais comandados por uma única facção criminosa. Para a Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde vivem mais de 50% da população da cidade e local no qual mandam as milícias (criminosos de farda), não há projeto de UPP.

Foram tais fatores que apenas deslocaram o crime organizado para pontos mais distantes da região metropolitana e, em alguns casos, fizeram mudar de mãos o controle de alguns pontos do varejo das drogas, inclusive em comunidades ditas “pacificadas” pelas UPPs. Estas mudanças por vezes se deram através de acordos, por vezes através da disputa de território – com os tiroteios típicos que vitimizam trabalhadores e inocentes. Não é por outro motivo que, em todas as operações policiais para instalar as atuais 14 UPPs, não houve sequer uma dezena de prisões, um quilo de entorpecente ou uma mísera arma de grosso calibre apreendidos. Isso também explica de onde surgiram tantos armamentos e varejistas do tráfico nas imagens veiculadas pela TV desde a última quinta-feira. Armas que, aliás, não foram fabricadas no interior daquela localidade. Chegaram até ali através de uma cadeia que a muitos interessa manter, pois a muitos enriquece: no atacado pela corrupção; no varejo através dos “arregos” pagos a bandidos de farda.

Esta cadeia do tráfico permanece intocada, como bem sabem os moradores de localidades subjugadas pelas milícias. Os grandes traficantes de drogas e contrabandistas de armas, durante estes dias da “guerra do Complexo do Alemão”, estavam incólumes em suas ricas residências nos bairros nobres, assistindo tudo pela televisão para acompanhar os rumos de seus negócios. Provavelmente estes atacadistas já têm seus interlocutores e sócios entre aqueles que que “ocuparão” a Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão.

Ademais, é preciso esclarecer os motivos que justificaram as ações policiais promovidas desde a última quinta-feira: quem de fato promoveu os incêndios de automóveis? Por que tais ações se diferenciaram em muito das promovidas anteriormente pelo tráfico de drogas, inclusive permitindo que os cidadãos se retirassem dos meios de transporte? Por que tais ações se reduziram em muito desde que a ocupação da Vila Cruzeiro virou fato consumado, já que poucos foram os presos até o momento?

Para o PCB, é imperativo o esclarecimento de tais fatos. Que as investigações da polícia e da justiça sejam transparentes e abertas à participação de entidades da sociedade civil.

Por fim o PCB afirma: a culpa pelo atual estado de coisas é do capitalismo, de sua lógica e de seus interesses. Ele é o inimigo a ser combatido e derrotado pelos trabalhadores.

30 de novembro de 2010

Partido Comunista Brasileiro

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

VIVA CUBA! VIVA A REVOLUÇÃO SOCIALISTA!

Aos 51 anos da Revolução Socialista  cubana, o mundo capitalista alardeia a derrocada da Revolução na Ilha. O fim da Cuba Socialista tornou-se pauta constante dos agoureiros capitalistas após a derrocada da URSS, e agora reaparece com força total para tentar disseminar a idéia de que o melhor para a Ilha é a barbárie do Capital. Barbárie que, por sinal, os moradores da Cuba Socialista desconhecem. No entanto, a investida desse pensamento contra Cuba tem um alvo claro: os jovens cubanos. Eles não conheceram o capitalismo como seus pais e avós, e são tentados a experimentar esse sedutor produto da burguesia.

Ainda é muito cedo para conhecermos os rumos que tomarão as novas medidas econômicas em Cuba, porém, não devemos aceitar a investida do Capital contra a democracia popular cubana, pintada ao mundo todo como ditadura. O Socialismo cubano tem suas peculiaridades e por estar praticamente sozinho contra o imperialismo estadunidense, necessita constantemente de se reinventar para continuar existindo e mantendo suas principais conquistas. Mal sabem os jovens cubanos como o capitalismo lhes trataria na atual dificuldade pela qual passa seu país (e o mundo). Ao contrário do que faz hoje o governo cubano, amparando e dando suporte àqueles que iniciam uma atividade fora do Estado, o capitalismo vomitaria à miséria todos os homens e mulheres que não mais seriam necessários à produção.

A principal garantia do governo cubano é que todas as pessoas que tiverem dificuldades para começar uma nova atividade poderão recorrer ao Estado para que possam aos poucos trabalhar por conta própria.
Os comunistas do mundo todo estão apreensivos com a atual situação de Cuba. É preciso rechaçar toda e qualquer iniciativa de países que queiram se aproveitar da fragilidade, ainda maior, econômica cubana. Recentemente, o representante das relações exteriores do Brasil, Celso Amorin, ofereceu ajuda à Cuba, no sentido de enviar quadros de pessoas ligadas ao SEBRAE para “ensinar” os cubanos a serem “empreendedores”. Segundo Amorin, o Brasil tem uma boa experiência nesse sentido.
Celso Amorin que leve sua corja do SEBRAE para bem longe dos países da América Latina.

VIVA CUBA! VIVA A REVOLUÇÃO SOCIALISTA!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A “guerra” no Rio de Janeiro

Os EUA da era Bush inventaram uma guerra contra o Afeganistão e depois contra o Iraque. Não se tem dúvidas de que essas duas guerras foram forjadas para garantir o total cumprimento dos interesses norte americanos em relação à extração de petróleo, matéria prima extremamente necessária à maior economia do mundo, mas que se torna cada vez mais escassa no território estadunidense. Sendo um recurso natural finito e vendo seu fim num futuro bem próximo, não resta outra alternativa aos EUA senão buscar o petróleo em lugares em que ele é encontrado com certa abundância, como é o caso do Oriente Médio.

Forjaram uma guerra. Mataram crianças, mulheres e homens inocentes por puro interesse econômico. A vida humana pouco importa se o que está em pauta, no caso dos EUA, é a manutenção de sua dominação imperialista, ou no caso dos demais países ricos, a produção e a acumulação de riquezas. Assassinar, fuzilar e queimar pessoas inocentes são práticas comuns aos usurpadores da vida humana, considerados por intelectuais do mundo inteiro como os proponentes de um mundo melhor, aqueles que tematizam, por onde passam, a erradicação da miséria, o fim da violência e, como não poderia ser diferente, a manutenção permanente do Estado de Direito.

Por todo o mundo, pessoas se compadecem desses infelizes, os algozes da raça humana, como se eles estivessem realmente preocupados com a vida dos bilhões de homens, mulheres e crianças que sofrem de fome, de doenças, pela falta de segurança e pela falta de respeito em todas as esferas da sociedade burguesa. Acredita-se ingenuamente que toda ofensiva israelense e estadunidense é um ato de defesa, provocando, no senso humanitário da mídia hegemônica, da igreja, dos conservadores e dos desavisados uma certa pena desses países porque jamais lhes dão descanso.

Diante da política bélica dos EUA e Israel e de suas investidas contra Iraque, Afeganistão, por parte dos EUA, e Palestina por parte de Israel, a mídia mundial, por meio da ideologia legitimadora da dominação dos mais “fracos” pelos mais “fortes”, esconde a verdade e produz, molda na consciência da população uma idéia de concordância com a militarização da vida, a política da guerra. Por ser a única versão que a grande massa ouve sobre tais conflitos armados, a versão das potências militares é a que toma conta da consciência da maior parte das pessoas.

Não se deve perder de vista que essa mídia está a serviço destas potências (leia-se, Capital) e que, portanto, não poderia se esperar outra postura senão a defesa incontestável das terríveis ações militares que provocam a morte de milhares de pessoas e a destruição de cidades inteiras. Há pouco, referia-me aos interesses econômicos que estão por trás de todas estas ações militares, e é a partir dos interesses do mercado que a dita “guerra contra o tráfico” no Rio de Janeiro deve ser analisada.

O Rio de Janeiro desde o ano passado além de uma cidade conhecida mundialmente pela beleza de seus cartões postais (que não são o Complexo do Alemão, tampouco a Vila Cruzeiro) tornou-se também o centro das atenções do mundo esportivo ao ser declarada a sede das Olimpíadas de 2016 e uma das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014. Na sociedade em que o Capital impera, o esporte torna-se apenas mais uma mercadoria. Uma maneira a mais de se ganhar muito dinheiro. Nesse momento, estão no páreo para abocanhar bilhões de dólares do Estado brasileiro os monopólios da construção civil, das telecomunicações e do mercado imobiliário. É preciso dedicar um pouco mais de atenção a esse último.

É praticamente impossível atrair investimentos imobiliários em áreas que não oferecem atrativos. Áreas consideradas violentas ou que não ofereçam muita segurança são as menos valorizadas em qualquer canto do mundo. No Rio de Janeiro, dificilmente há uma área “segura” e não violenta que esteja longe dos bairros nobres da cidade maravilhosa. No entanto, nos bairros nobres não é possível construir mais casas (mansões) além das que já estão lá. Diante de um quebra-cabeças imobiliário, não restou outra saída senão “desocupar” áreas estratégicas em alguns morros cariocas. Trata-se de uma “limpeza”, uma verdadeira “varredura” que vem sendo feita em algumas áreas ocupadas por moradores de barracos, os quais são expulsos de suas moradias sem nada poderem fazer.

A ação militar vivenciada pelo Brasil e pelo mundo na última semana em algumas favelas do Rio de Janeiro é o início de uma prática que se tornará bem mais freqüente ao passo que se aproximam a copa do mundo e as olimpíadas. A estratégia do Estado está funcionando perfeitamente no imaginário popular. De agora em diante, todas as ações militares em favelas do Rio e de outras capitais brasileiras serão justificadas como combate ao tráfico, quando, se analisarmos minimamente a seqüência dos fatos ocorridos desde o início da investida da polícia nas favelas cariocas, perceberemos que não se trata apenas de um suposto combate ao tráfico, mas sim, de um APARTHEID. O sinal verde da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro para a invasão de algumas favelas do Rio foi dado depois que algumas facções criminosas queimaram veículos em diferentes regiões do Rio de Janeiro. Não houve, até o momento, notícia de que estas facções tenham atacado postos policiais com arma em punho, a não ser um ataque com granadas a um carro oficial da aeronáutica que circulava pelas ruas do Rio. Nada justifica o ataque dos criminosos. Porém, é preciso cautela para justificar também a dura repressão colocada pela polícia não só aos traficantes, mas aos moradores das favelas invadidas.

Como já foi dito, nada justifica a queimada dos veículos pelos traficantes, mas o que chama a atenção é que esses ataques não fizeram vítimas fatais. Foram reações imediatas que acontecem diariamente no jogo do tráfico no Rio de Janeiro. É questionável a versão dada pela Secretaria de Segurança Pública de que se tratava de um ataque orquestrado pelo tráfico de drogas contra a política da segurança pública da referida secretaria. Não seria ingenuidade “do tráfico” promover ataques apenas queimando carros, quando os traficantes, possivelmente, sabiam que a reação da polícia certamente seria dura? Se realmente fosse um ataque não teriam os traficantes utilizado ao menos parte de seu arsenal?

São questões que ficam sem respostas justamente porque não são feitas pela mídia. Não são feitas porque a mídia também está bastante interessada no APARTHAID que está em marcha no Rio e nas cidades-sedes da copa do mundo.

Os homens, as mulheres e as crianças, na sua maioria negros, que moram nas favelas do Rio, a meu ver, terão uma dura rotina até 2016. A intenção do Estado e dos organizadores desses dois eventos esportivos é “limpar” o Rio de Janeiro. Colocar “esse povo” em seu devido lugar, na favela. E que eles saibam através da repressão que ali é o seu lugar, e que a zona sul não lhes pertence, tampouco podem vê-la pessoalmente. Jamais assistirão a um jogo da copa. Talvez poderiam vender seus lanches e picolés na entrada dos estádios, mas até isso já tem dono. Tem muita gente da Zona Sul interessada na venda de lanches e picolés durante a copa do mundo e as olimpíadas.

A inventada “guerra do Rio de Janeiro” não afeta a Zona Sul. Ela deixa sem luz, água, escola e transporte público (péssimo!!) os moradores da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão. Os moradores das favelas do Rio e de todo o Brasil estão esquecidos pelo Estado há séculos. Esse mesmo Estado que ora se pronuncia, promovendo a paz, é o principal responsável pela calamitosa situação na qual vivem os moradores dos morros cariocas. Não há política pública nos morros. Os canteiros da Zona Sul são bem cuidados, floridos e perfumados. Na favela não há canteiros, quem dirá flores, e o perfume que se sente é do esgoto a céu aberto.

Todos nós sabemos que a promessa do capitalismo de promover bem-estar social não se concretizou e nem se concretizará. Das relações sociais possíveis na sociedade do Capital só se pode esperar a segregação da classe trabalhadora: e o que a espera é a violência, o analfabetismo, a morte prematura por desnutrição, por infecção, a fome.

A cena transmitida em tempo real pelos meios de comunicação que retratavam a fuga de traficantes é deprimente. Adolescentes e jovens empunhando fuzis, com as mãos ocupadas, mas que não defendiam nenhuma ideologia. O que eles defendem a partir do momento em que entram para esse mundo é sua própria vida, apenas. Grande parte daqueles adolescentes e jovens que corriam jamais voltará para uma escola, poucos terminaram o ensino fundamental, e agora, correm do Estado. Antes, porém, o Estado (burguês) é que nunca se aproximou deles.

Em 2007, 19 seres humanos foram mortos numa ação da polícia no mesmo Complexo do Alemão. A ação aconteceu dias antes do início dos Jogos Pan-Americanos. Três anos mais tarde, a cena se repete. Quanto tempo esperaremos para ver a próxima? É certo que não muito.

O Rio de Janeiro inventou uma guerra nos mesmos moldes daquela inventada pelos EUA contra o Afeganistão e o Iraque. Uma vez inventada, tudo se justifica por ela. É o velho e desgastado lema de que a paz só acontece pela guerra. Se para os EUA o objetivo era angariar reservas de petróleo, para o Rio de Janeiro o objetivo é “limpar” a cidade para a Copa e para as Olimpíadas, é o APARTHEID carioca. Na invenção da guerra se pode tudo: na operação da quarta-feira (24/11) na Vila Cruzeiro, por exemplo, esse foi o perfil das vítimas, segundo o detalhado registro do jornalista do Estado de São Paulo: mortes - uma adolescente de 14 anos, atingida com uniforme escolar quando voltava para casa; um senhor de 60 anos, uma mulher de 43 anos e um homem de 29 anos que chegou morto ao hospital com claros sinais de execução. Feridos - 11 pessoas, entre elas outra estudante uniformizada, dois idosos de 68 e 81 anos, três mulheres entre 22 e 28 anos, dois homens de 40 anos, um cabo da PM e apenas dois homens entre 26 e 32 anos.

É inaceitável situações como a que se registrou no Rio de Janeiro na última semana, e tudo em nome de uma lucratividade internacional dos dois eventos esportivos, em nome da especulação imobiliária e da “limpeza” que se iniciou desde já até 2016. O Capital continua fazendo suas vítimas em todos os cantos do planeta e se articula para continuar mantendo seu poderio e sua dominação. Temos de ter claro que “nosso inimigo é outro”. Não é a favela, nem os traficantes: há a necessidade de prendê-los, mas não podemos cair na inocência de que a prisão acabará com o tráfico de drogas e todo o tipo de violência. Para isso, teríamos que ter uma cadeia em cada esquina. Nosso “inimigo é outro”, é o modelo de organização social que resulta nessa convivência bárbara entre seres humanos, que dá o “direito” para o Estado colocar no chão qualquer e todo ser humano que lhe atravesse caminho, quando ele age para manter o Estado de Direito. Estado de Direito de quem? Para quem? Para os moradores da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão que não é. Eles não tem acesso aos direitos básicos de sobrevivência. Nosso inimigo é o modo de produção capitalista com todo seu aparato tecnológico, militar e midiático. É preciso combater a ideologia vociferante que se propaga através dos diversos meios de divulgação utilizados pela burguesia, inclusive o filme “Tropa de Elite I e II”.

O Estado tem fortes meios de combate ao tráfico de drogas varejista, no entanto, parece fazer “vistas grossas” ao tráfico atacadista. Esse último é quem lucra e mantém o aparato de distribuição no varejo. Bolívia, Equador, Colômbia, países andinos, propícios para a produção da coca não dispõem de indústrias químicas para manipular a coca e transformá-la em cocaína, por exemplo. Essa manipulação é feita por laboratórios químicos fora desses países, por quem tem um “poder de fogo” muito maior que os traficantes dos morros. Resta saber se se quer realmente desmontar esse aparato atacadista ou se é “mais fácil” fuzilar homens, mulheres e crianças nas ruas das favelas, arrombar casas, saqueá-las e depois dizer que a segurança está (re)estabelecida.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CARTA DE ANITA PRESTES AO CC DO PCdoB

Rio de Janeiro, 24 de novembro de 2010.


Ao Comitê Central do

Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

Dirijo-me à direção do PCdoB para externar minha estranheza e minha indignação com imagem, que está circulando na Internet, da capa de uma publicação intitulada “Gibi do Programa Socialista do PCdoB – O ideal e o caminho”, assinado por Bernardo Joffily.

Essa publicação apresenta imagens dos meus pais, Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, ladeando a figura de Getúlio Vargas. Também estão colocadas junto a Vargas lideranças revolucionárias como Carlos Lamarca e João Amazonas. Não posso aceitar que sejam divulgadas, sem nenhuma razão para tal, imagens dos meus pais, dois revolucionários comunistas, junto com o ditador sanguinário Getúlio Vargas, que manteve Luiz Carlos Prestes preso durante nove anos e entregou Olga Benario Prestes à Alemanha nazista para ser assassinada numa câmara de gás.

Espero, portanto, que a direção do PcdoB torne público pronunciamento a respeito e retire de circulação tal publicação, cujo teor contribuirá para a distorção da história do Brasil e, em particular, das lutas revolucionárias em nosso país.

Atenciosamente,

Anita Leocádia Prestes

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Morre aos 89 anos, no Paraná, um líder comunista

Faleceu na manhã desta quinta-feira (18) o dirigente comunista e artista plástico Espedito Rocha. Ele estava internado havia seis dias no Centro Médico Nossa Saúde, em tratamento de um câncer no pulmão, diagnosticado em meados de 2009. Espedito Oliveira da Rocha nasceu em 1º de janeiro de 1921, em Santa Clara, então distrito do município de Buíque, hoje Tupanatinga, em Pernambuco.


Espedito iniciou sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1938, ainda em Pernambuco, e chegou ao Paraná no início dos anos 50, onde trabalhou na colonização do Norte do Estado. Posteriormente mudou-se para Curitiba para trabalhar na construção do Centro Cívico e iniciar a atividade sindical, onde teve forte atuação política.

Foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Curitiba e também foi eleito primeiro suplente de vereador em Curitiba pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), já que naquela época o PCB era clandestino.

Com o golpe militar de 1964, Espedito teve seus direitos políticos cassados. Só não foi preso porque conseguiu fugir e passou a utilizar uma nova identidade. Permaneceu na clandestinidade e militou como dirigente nacional do PCB, na condição de membro do Comitê Central, durante todo o regime militar.

Usando o nome de Tibúrcio Melo, foi preso no Mato Grosso, onde administrava uma fazenda do PCB, que era utilizada para fuga de resistentes da ditadura e também para obtenção de recursos para o partido. Espedito foi levado para o Doi-Codi em São Paulo, onde permaneceu preso e foi duramente torturado. Foi levado de volta pela polícia política para o Mato Grosso pesando 38 quilos. Com a ajuda de amigos, foi internado e recuperou-se, fugindo em seguida para São Paulo, onde retomou à militância com o nome de Tadeu Melo, que utilizou até ser anistiado em 1979.

Retornou para Curitiba onde re-fundou o PCB, permanecendo seu presidente até meados dos anos 90. No início dos anos 80 comandou o apoio do PCB à candidatura de José Richa ao governo do Estado pelo PMDB. Quando o PCB mudou de nome para PPS, Espedito Rocha e outros comunistas conhecidos, como Oscar Niemeyer e Ivan Pinheiro, fundaram novamente o PCB, ao qual ficou filiado até sua morte.

Carreira artística

Na sua fuga para São Paulo, em 1976, Espedito utilizou as horas de esconderijo para retomar o talento antigo de esculpir na madeira. A partir daí, junto à militância política, Espedito iniciou a carreira de artista plástico, que desempenhou até 15 dias atrás, quando a doença ainda não havia se agravado. Realizou exposições, coletivas e individuais, em diversos locais do Brasil e tem peças no acervo permanente de vários museus do país.

Sobre o artista, Pietro Maria Bardi, já em 1980, descreveu: "Espedito Oliveira da Rocha é um desses homens que desafiam as injunções próprias de quem é ligado ao mundo do trabalho. Na cartilha mais difícil, aprendeu a vida por ela própria. Transformou em poema de aroeira, peroba e cedro tudo o que viu e viveu".

Espedito deixa os filhos Rosa Maria da Rocha, Caetano Oliveira da Rocha, Carlos Rogério da Rocha, Airam de Oliveira da Rocha, Luiz Carlos da Rocha, Gabriela Rocha, Mariana Rocha e Manoel Caetano Ferreira Filho, além de netos e bisnetos. Seu corpo será velado na Assembleia Legislativa do Paraná, a partir das 14 horas, e cremado amanhã às 9 horas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

COMUNISTAS RETORNAM AO SEU PARTIDO

Em uma cerimônia simples e descontraída, foram recebidos, na sede do Comitê Central do PCB, no Rio de Janeiro, o advogado Celso Soares e o professor universitário Ronaldo Coutinho, militantes comunistas com muita tradição de luta, que retornam ao Partido. Celso e Ronaldo são alguns daqueles inúmeros militantes que, sem deixar de serem militantes comunistas, deixaram o PCB na época do liquidacionismo e da conciliação de classe da maioria do CC, nos anos 80.

Ivan Pinheiro e Eduardo Serra (do Comitê Central) e Paulo Oliveira, secretário de Organização do Comitê Regional do Rio de Janerio, saudaram o reingresso dos dois camaradas, o engajamento de ambos nas causas populares, no combate à ditadura e na defesa do Socialismo, ressaltando também a contribuição importante que trazem ao PCB na construção da teoria da revolução brasileira e na formulação política em geral. Muitos dirigentes e militantes presentes também se manifestaram, e foram lidas diversas mensagens de saudações vindas de vários estados.

Crédito: PCB

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A História faz justiça a Marighella

imagemCrédito: PCB


Decorridos 41 anos - completados hoje - do covarde assassinato de Carlos Marighella, cresce no país o respeito por sua coragem, determinação e militância e o sentimento de que seu nome já se situa, tranquilamente e como medida de justiça, entre os patriotas que mais lutaram pela melhoria de vida, ascensão social, a liberdade e o respeito a todos os direitos do nosso povo.
Marighella - ou Carlos como o chamavam os mais próximos, os familiares e os amigos -  morreu em uma emboscada montada pelas forças de repressão da ditadura militar, à frente o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo. Ele foi inequivocamente um dos quadros políticos mais atuantes de nossa História. Só a reação, e com o assassinato, foi capaz de conter a chama que o animou sempre, a vida inteira, em sua luta pela liberdade e justiça para o nosso povo.
Defensor das causas populares até o limite de pagar mesmo com a vida, como lhe aconteceu, Marighella foi um batalhador por reformas de base como as da educação e agrária e pela soberania nacional. Foi o que o motivou a filiar-se aos 18 anos ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Um combatente em todas as frentes de resistência

A partir daí, lutou em todas as frentes: combateu a ditadura Vargas e a repressão por ela desencadeada; foi deputado federal até a proscrição do PCB (1947); enfrentou a partir de então duas décadas de clandestinidade; resistiu e  enfrentou as forças da nova ditadura, a militar, instaurada em 1964; rompeu com o velho Partidão, fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN)  e bateu de frente, o resto dos seus dias, com o regime de exceção instaurado no país.
Sua coragem, luta, ensinamentos e sobretudo seu amor pela liberdade e pela justiça serão sempre um exemplo para todos os brasileiros que, quanto mais o tempo passa, mais lhe são reconhecidos e fazem justiça por ter dedicado sua vida à transformação da realidade dos excluídos e a dar voz aos anseios de liberdade e justiça do nosso povo.
Independente do julgamento que lhe façam os ainda sobreviventes da reação, o que prevalece é o reconhecimento de que Marighella hoje já é História e que esta lhe reserva um lugar entre os grandes da luta pelo progresso e melhorias de nosso país.

Fonte: http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&&id=10554

sábado, 30 de outubro de 2010

CHÁVEZ EXPROPRIA EMPRESA DOS EUA QUE DESRESPEITA MEIO AMBIENTE

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na noite de segunda-feira (25) a expropriação da filial da fabricante americana de embalagens de vidro Owens Illinois, que segundo o governo não respeita o meio ambiente e explora os trabalhadores.
A Owens Illinois é líder mundial na fabricação de embalagens de vidro, com 22.000 funcionários e presença em 21 países.Chávez também aproveitou a oportunidade para acenar com a nacionalização de bancos privados que não colaborarem no desenvolvimento do país com a concessão de créditos. 

Anos de exploração


"Já está pronta a expropriação, Owens Illinois, exproprie-se", disse Chávez em um ato de governo transmitido em rede nacional de rádio e televisão. O presidente acrescentou que trata-se de “uma empresa de capital americano, que tem anos explorando os trabalhadores, destruindo o ambiente no estado Trujillo (oeste) e levando o dinheiro dos venezuelanos".
A empresa americana está presente há 52 anos na Venezuela, onde tem duas fábricas, que produzem embalagens de vidro e garrafas para cervejas e bebidas, além de recipientes para alimentos.

Lista


Chávez destacou ainda que o governo tem uma lista com mais nomes de empresas para expropriação, mas não revelou os nomes. E alertou os ricos banqueiros. "Banco que não quiser colaborar no desenvolvimento nacional deve ser estatizado sem atraso de nenhum tipo. Os bancos privados são obrigados a assumir isto. Não há volta atrás".
Ele citou como exemplo a necessidade de que os bancos concedam créditos para a habitação, uma das principais necessidades dos venezuelanos no momento.
"Não podemos fazer nenhuma concessão aos que não querem contribuir podendo fazê-lo (...), porque nós, sozinhos, não podemos fazer tudo", completou Chávez.
Desde novembro de 2009, mais de 10 bancos, todos de pequeno e médio porte, sofreram intervenção e posteriormente foram liquidados ou nacionalizados por Caracas. O objetivo é "garantir o saneamento do sistema bancário".

Estado forte



O papel do Estado no setor bancário do país ganhou força nos últimos meses, e atualmente concentra mais de 25% do sistema financeiro nacional, principalmente em função da nacionalização do Banco da Venezuela, concluída em 2009.
Nos último 30 dias, Caracas nacionalizou a produtora de lubrificantes Venoco, a empresa de fertilizantes Fertinitro e a Agroisleña, uma empresa com capital espanhol dedicada à produção de químicos agropecuários e suporte tecnológico à agricultura.
Desde 2007, a Venezuela nacionalizou mais de 340 empresas em setores estratégicos como energia elétrica, bancos, cimentos, aço, petróleo e alimentos. Além disso, três milhões de hectares de terras consideradas improdutivas foram resgatadas para a produção, nas palavras do governo, desde a chegada de Chávez ao poder. O reforço do papel do Estado na economia, em contraposição às políticas de “Estado mínimo” dos governos neoliberais, é um dos caminhos da revolução bolivariana na direção do socialismo do século XXI.


Fonte: http://pcb.org.br/portal/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Nota política do PCB para o segundo turno

(Nota Política do PCB)

"DERROTAR SERRA NAS URNAS E DEPOIS DILMA NAS RUAS"

O PCB apresentou, nas eleições de 2010, através da candidatura de Ivan Pinheiro, uma alternativa socialista para o Brasil que rompesse com o consenso burguês, que determina os limites da sociedade capitalista como intransponíveis. As candidaturas do PCO, do PSOL e do PSTU também cumpriram importante papel neste contraponto.
Hoje, mais do que nunca, torna-se necessário que as forças socialistas busquem constituir uma alternativa real de poder para os trabalhadores, capaz de enfrentar os grandes problemas causados pelo capitalismo e responder às reais necessidades e interesses da maioria da população brasileira.
Estamos convencidos de que não serão resolvidos com mais capitalismo os problemas e as carências que os trabalhadores enfrentam, no acesso à terra e a outros direitos essenciais à vida como emprego, educação, saúde, alimentação, moradia, transporte, segurança, cultura e lazer. Pelo contrário, estes problemas se agravam pelo próprio desenvolvimento capitalista, que mercantiliza a vida e se funda na exploração do trabalho. Por isso, nossa clara defesa em prol de uma alternativa socialista.
Mais uma vez, a burguesia conseguiu transformar o segundo turno numa disputa no campo da ordem, através do poder econômico e da exclusão política e midiática das candidaturas socialistas, reduzindo as alternativas a dois estilos de conduzir a gestão do capitalismo no Brasil, um atrelando as demandas populares ao crescimento da economia privada com mais ênfase no mercado; outro, nos mecanismos de regulação estatal a serviço deste mesmo mercado.
Neste sentido, o PCB não participará da campanha de nenhum dos candidatos neste segundo turno e se manterá na oposição, qualquer que seja o resultado do pleito. Continuaremos defendendo a necessidade de construirmos uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, permanente, para além das eleições, que conquiste a necessária autonomia e independência de classe dos trabalhadores para intervirem com voz própria na conjuntura política e não dublados por supostos representantes que lhes impõem um projeto político que não é seu.
O grande capital monopolista, em todos os seus setores - industrial, comercial, bancário, serviços, agronegócio e outros - dividiu seu apoio entre estas duas candidaturas. Entretanto, a direita política, fortalecida e confiante, até pela opção do atual governo em não combatê-la e com ela conciliar durante todo o mandato, se sente forte o suficiente para buscar uma alternativa de governo diretamente ligado às fileiras de seus fiéis e tradicionais vassalos. Estrategicamente, a direita raciocina também do ponto de vista da América Latina, esperando ter papel decisivo na tentativa de neutralizar o crescimento das experiências populares e anti-imperialistas, materializadas especialmente nos governos da Venezuela, da Bolívia e, principalmente, de Cuba socialista.
As candidaturas de Serra e de Dilma, embora restritas ao campo da ordem burguesa, diferem quanto aos meios e formas de implantação de seus projetos, assim como se inserem de maneira diferente no sistema de dominação imperialista. Isto leva a um maior ou menor espaço de autonomia e um maior ou menor campo de ação e manobra para lidar com experiências de mudanças em curso na América Latina e outros temas mundiais. Ou seja, os dois projetos divergem na forma de inserir o capitalismo brasileiro no cenário mundial.
Da mesma forma, as estratégias de neutralização dos movimentos populares e sindicais, que interessa aos dois projetos em disputa, diferem quanto à ênfase na cooptação política e financeira ou na repressão e criminalização.
Outra diferença é a questão da privatização. Embora o governo Lula não tenha adotado qualquer medida para reestatizar as empresas privatizadas no governo FHC, tenha implantado as parcerias público-privadas e mantido os leilões do nosso petróleo, um governo demotucano fará de tudo para privatizar a Petrobrás e entregar o pré-sal para as multinacionais.
Para o PCB, estas diferenças não são suficientes qualitativamente para que possamos empenhar nosso apoio ao governo que se seguirá, da mesma forma que não apoiamos o governo atual e o governo anterior. A candidatura Dilma move-se numa trajetória conservadora, muito mais preocupada em conciliar com o atraso e consolidar seus apoios no campo burguês do que em promover qualquer alteração de rumo favorável às demandas dos trabalhadores e dos movimentos populares. Contra ela, apesar disso, a direita se move animada pela possibilidade de vitória no segundo turno, agitando bandeiras retrógradas, acenando para uma maior submissão aos interesses dos EUA e ameaçando criminalizar ainda mais as lutas sociais.
O principal responsável por este quadro é o próprio governo petista que, por oito anos, não tomou medida alguma para diminuir o poderio da direita na acumulação de capital e não deu qualquer passo no sentido da democratização dos meios de comunicação, nem de uma reforma política que permitisse uma alteração qualitativa da democracia brasileira em favor do poder de pressão da população e da classe trabalhadora organizada, optando pelas benesses das regras do viciado jogo político eleitoral e o peso das máquinas institucionais que dele derivam.
Considerando essas diferenças no campo do capital e os cenários possíveis de desenvolvimento da luta de classes - mas com a firme decisão de nos mantermos na oposição a qualquer governo que saia deste segundo turno - o PCB orienta seus militantes e amigos ao voto contra Serra.
Com o possível agravamento da crise do capitalismo, podem aumentar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e a repressão aos movimentos populares. A resistência dos trabalhadores e o seu avanço em novas conquistas dependerão muito mais de sua disposição de luta e de sua organização e não de quem estiver exercendo a Presidência da República.
Chega de ilusão: o Brasil só muda com revolução!
PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
COMITÊ CENTRAL

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ONU aprova suspensão do embargo norte-americano a Cuba


Documento foi aprovado com 187 votos a favor, 2 contra e 3 abstenções

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nessa terça-feira a suspensão do embargo norte-americano imposto a Cuba, em vigor desde 1962. Essa é a 19ª vez consecutiva em que o órgão coloca em votação a questão do bloqueio promovido pelos EUA contra a ilha caribenha, em que o colegiado de todas as nações que compõem a ONU aprovam o fim do bloqueio financeiro e comercial ao país.
O documento que decide pelo fim imediato do bloqueio a Cuba foi aprovado com 187 votos a favor, 2 contra (Estados Unidos e Israel) e 3 abstenções (Ilhas Marshall, República de Palau e Estados Federados da Micronésia - satélites dos EUA, mas que ainda assim não repetiram o voto contra, se abstendo no pleito).
Estimativas oficiais do governo cubano indicam que o embargo imposto há 48 anos causa prejuízos que somavam cerca de US$ 751,3 bilhões até dezembro de 2009. O bloqueio envolve restrições econômicas, financeiras, políticas e diplomáticas; sobrevivendo às custas de interesses das máfias e cartéis reacionários e fascistas, que empregam além do embargo citado, também táticas sujas de desestabilização e terrorismo para derrubar o Estado Cubano.
Para as autoridades cubanas e a comunidade internacional, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não demonstra boa vontade para recuar na adoção do embargo. Assim como parte de suas promessas de campanha, como o fim das guerras, Obama se "esqueceu" de levantar as asfixiantes restrições que partem do seu governo contra a população cubana, e oferece a Cuba a mesma mão que Bush e seus antecessores: um punho cerrado segurando um punhal.

Daniel Oliveira - com fontes internacionais (Agência Lusa e Xinhua)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Bolívia, de Evo Morales, reduz idade para aposentadoria





Enquanto na Europa tentam aumentar a idade de reforma e reduzir as pensões, na Bolívia o governo de Evo Morales lança um projecto de lei que reduz a idade da jubilação de 65 para 58 anos para os homens e de 62 para 56 anos para as mulheres.
"Esta mudança é necessária. Nosso povo foi durante anos agravado. O tipo de trabalho que a maioria da população realiza é muito pesado. A diminuição da idade de reforma para os mineiros deve ser maior, para os 56 anos, e para os que vão ao fundo das minas deve diminuir para os 51 anos", afirmou o presidente Evo Morales.
O vice-presidente, Álvaro García Linera, ressaltou qu o projeto rompe com o processo neoliberal engendrado pela lei de 1996.(...)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O drama continua

Foram encontrados os últimos corpos dos quatro mineiros soterrados desde a semana passada em uma mina no Equador. O drama dos mineradores na América Latina continua. O capitalismo continua fazendo suas vítimas por aqui e nos quatro cantos do mundo. Cadê a solidariedade dos presidentes que ligaram para Sebastián Piñera, presidente do Chile, durante o resgate dos 33 mineiros? Se estivessem realmente preocupados com a situação dos mineiros da América Latina não deveriam organizar uma discussão sobre a criação de uma nova legislação da exploração de minérios no subsolo?
Onde está Obama, Lula,Sarkozy e Piñera?

A esposa de um dos mineiros encontrado morto desaba ao receber a notícia das equipes de resgate.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

El Necio - Silvio Rodriguez

No início da década de 1990, as grandes gravadoras norte americanas oferecem uma fortuna para Silvio Rodriguez deixar Cuba e se tornar, segundo essas gravadoras, um "ícone da música mundial". Sílvio foi enfático em ficar ao lado da Revolução e não teve medo de dizer: "me vienem a convidar a tanta mierda". Para se tronar mais prazeroso, abaixo publico a letra desta canção revolucionária.

El Necio
(Silvio Rodriguez)

Para no hacer de mi ícono pedazos,
para salvarme entre únicos e impares,
para cederme un lugar en su Parnaso,
para darme un rinconcito en sus altares.
me vienen a convidar a arrepentirme,
me vienen a convidar a que no pierda,
mi vienen a convidar a indefinirme,
me vienen a convidar a tanta mierda.
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
Yo quiero seguir jugando a lo perdido,
yo quiero ser a la zurda más que diestro,
yo quiero hacer un congreso del unido,
yo quiero rezar a fondo un hijonuestro.
Dirán que pasó de moda la locura,
dirán que la gente es mala y no merece,
más yo seguiré soñando travesuras
(acaso multiplicar panes y peces).
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.
Dicen que me arrastrarán po sobre rocas
cuando la Revolución se venga abajo,
que machacarán mis manos y mi boca,
que me arrancarán los ojos y el badajo.
Será que la necedad parió conmigo,
la necedad de lo que hoy result anecio:
la necedad de asumir al enemigo,
la necedad de vivir sin tener precio.
Yo no se lo que es el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios, que será divino.
Yo me muero como viví.